O elevado déficit da balança comercial brasileira em 1996, juntamente com as previsões sobre a possibilidade de uma repetição daqueles números este ano, faz com que as autoridades se desdobrem buscando alternativas para restabelecer o equilíbrio das contas. Sabemos hoje que o País não necessita de superávits exagerados, como os que perseguiu em épocas passadas. Atualmente, vale mais a soma dos dois pratos da balança - exportações e importações -, do que o peso de um só deles, pois o somatório é o que indica a participação efetiva de um país no mercado mundial.
Nos últimos meses do ano passado, quando já se podia antecipar o déficit que acabou se confirmando, começaram a ser estudadas medidas visando melhorar as exportações brasileiras. Foram, inclusive, adotados estímulos tributários que se ainda não produziram os efeitos previstos, seguramente vão ajudar no crescimento das vendas externas nacionais este ano, pois criam melhores condições de competição no mercado externo. E juntamente com essas providências também há excelentes possibilidades na ponta das importações.
Não se trata de cortar as importações aleatoriamente, como já se pretendeu em outras épocas. Nem, igualmente, de restaurar a política de fechamento de mercados, que acabou criando graves problemas internos. Não se pode também esquecer que a própria sistemática do projeto de estabilidade da moeda joga com as importações como um meio de evitar especulações ou para oferecer mercadorias a fim de controlar o mercado, quando um aumento na demanda não é acompanhado do crescimento interno da produção.
O que se pode fazer neste setor é precisamente o que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, BNDES, acaba de anunciar: um programa que estimula a substituição de importações num mercado aberto. O projeto, diferente de outros planos feitos no passado, procura estimular empresas para que produzam no Brasil componentes de suas linhas de produção que hoje são importados. E o BNDES vai participar do capital dessas empresas.
Trata-se, portanto, de um programa que não subsidia nada nem faz protecionismo algum. Que esta forma de agir é adequada ao momento se comprova por um fato citado pelo próprio presidente do Banco, Luiz Carlos Mendonça de Barros, ao ilustrar que um financiamento feito pelo BNDES à indústria Confab permitiu que a empresa ganhasse concorrência internacional para produzir os tubos de aço que serão utilizados pelo gasoduto Brasil-Bolívia. O Brasil não precisará importar aqueles tubos, resultando uma economia de 400 milhões de dólares em importações.
O programa é bem-vindo. Substituir importações de modo aberto e inteligente, pelo apoio às empresas nacionais, não só reduzirá os gastos em divisas estrangeiras, como criará mais possibilidades sob todos os aspectos. É só pensar no que isso representa em empregos, salários e distribuição de renda. Este é o caminho para também aumentarmos as exportações e atingirmos o equilíbrio comercial. E com a economia aberta, todos os avanços tecnológicos do mundo estarão incorporados.
Há muito a fazer neste capítulo da substituição das importações, inclusive na área agrícola. O momento atual exige criatividade e competência, tanto para conquistar novos mercados, ampliar a faixa das exportações, como para diminuir a dependência nacional pelos produtos externos. O programa do BNDES é um exemplo a exaltar.

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