Editorial
Mais importante até do que os investimentos de 4 bilhões de reais anunciados para este ano em habitação e saneamento pelo ministro do Planejamento, Antonio Kandir, no último domingo, foram suas projeções sobre o crescimento econômico e a inflação no Brasil em 1997: a economia crescerá 5%, a inflação ficará abaixo de 10% e o consumo das classes de baixa renda será maior do que em 96.
Os investimentos em habitação e saneamento são importantes num país tão carente em moradia, água encanada e esgoto. Além de garantir saúde e melhores condições de vida para a população, investir nessas áreas tem efeitos positivos nos níveis de emprego, pois se ocupa grande contigente de trabalhadores não qualificados. Mas se isto já é animador, mais ainda é o crescimento global previsto: no ano passado a economia produziu em bens e serviços somente 3,2% a mais do que em 95.
A estabilidade que estamos vivendo é a principal base para previsões tão otimistas. Ela cria por si mesma novos instrumentos para o desenvolvimento da economia. Como destacou o ministro, o Plano Real - isto é, a estabilidade da moeda e dos preços pela via do câmbio, dos juros e das reservas - é que está estimulando investimentos econômicos. O crescimento de 5% é plenamente factível e a inflação abaixo de 10% também, apesar da alta que vai ter em janeiro.
O povo precisa
sentir que o
Governo está com
ele na batalha
da estabilidade
Adicionalmente, as afirmativas do ministro - que prestigiava prefeitos paulistas reunidos em São José do Rio Preto - deixam evidente que pelo menos alguns setores do Executivo não ficaram paralizados pelo impasse da reeleição. Estão atentos e ativos, acompanhando o desenvolvimento dos fatos econômicos e fazendo investimentos diretos em áreas importantes. Infelizmente, neste começo de ano a prioridade do Governo tem sido a emenda da reeleição, o que deixa a população apreensiva quanto aos rumos do Plano Real. O povo, não é demais lembrar, tem feito sua parte no processo de estabilização, aceita sacrifícios e quer a contrapartida oficial na forma de obras e soluções para problemas que são centenares.
Assim como o ministro Kandir, outros titulares do primeiro escalão do Governo federal precisariam estar mais presentes na vida nacional, inclusive participando, como foi o caso, de reuniões e encontros por vários pontos do País. Os membros do primeiro escalão, pessoas da confiança pessoal do presidente, podem e devem andar mais por este país continente, levando não só palavras mas atos, obras e empreendimentos que representam um grande estímulo para a coletividade.
Neste momento em que é de suma importância a confiança da população no programa de estabilidade e no Governo, apesar do atraso das reformas e do intempestivo projeto de reeleição, há grande necessidade de se sentir a presença e o interesse direto do Governo federal nos problemas comuns. Foi fundamental para o sucesso do Real, até agora, o apoio e a participação da sociedade. Entretanto, o verdadeiro êxito do empreendimento estará assegurado quando quando Governo e povo se unirem plenamente nesta luta que é comum.





