A divulgação pelo IBGE, na antevéspera do Dia do Trabalho, do índice de desemprego no Brasil, que no final de março último foi de 8,18% da população economicamente ativa, nível recorde nos últimos 14 anos, constitui sério alerta. Trata-se, na verdade, de situação mais grave do que a tão discutida questão do salário mínimo, como assinalou, aliás, o próprio Ministro do Trabalho. Não se contesta que o mínimo brasileiro, hoje de R$ 130, com um acréscimo de 10 reais em comparação ao valor dos últimos 12 meses, é ínfimo, insuficiente para atender às necessidades básicas de uma família. Mas, infelizmente, diante do quadro da falta de empregos, muitos aceitariam este valor para fugir do drama pior da falta de trabalho. Conforme ainda o IBGE, o crescimento do desemprego no Brasil acelerou nos últimos três meses, já que a média, em 1997, foi de 5,66%. Só em maio de 1984 foi registrado pelo Instituto nível de desemprego maior, de 8,28%. A estatística do IBGE se refere ao desemprego declarado nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Salvador e Recife, refletindo, seguramente, com maior ou menor intensidade, um quadro nacional.
Relembrar que o desemprego, hoje, não é um problema exclusivamente brasileiro, representando uma dificuldade mundial, não conforta muito. Em verdade, produz até mais angústia por evidenciar uma nova e dramática realidade, a de que nem mesmo mudar para outro País vai resolver a situação. Ao contrário: com o agravamento do desemprego pela Europa, está crescendo também um sentimento anti-imigração, o que pode ser percebido bem na Alemanha, onde partidos de extrema direita, com teses francamente xenófobas, vão ganhando espaço, perigosamente. Este drama mundial, para muitos reflexo da globalização, posto em evidência na data de hoje, em que na maior parte dos países se celebra o Trabalho, indica fundamentalmente a necessidade de um esforço pleno no sentido de dar resposta à necessidade dos homens de obter um trabalho para garantir a própria subsistência.
O desafio é imenso e precisa ser enfrentado com de modo pleno por todos os envolvidos. Naturalmente, até pela própria estrutura do Estado, no Brasil, incumbe às autoridades a adoção de medidas mais objetivas para estimular o investimento produtivo, a criação de empregos e a formação de empresas. Há muito se reclamam medidas mais concretas no sentido de reformular a legislação trabalhista, que em muitos casos constitui entrave ao surgimento de mais empregos. Até agora, só houve de concreto a mudança que possibilitou o contrato temporário de trabalho, pouco diante da gravidade da questão.
É preciso que se faça mais, é possível ir muito além, tanto no que tange à legislação que regulamenta o trabalho, como também às disposições sobre a criação de empresas. Sem dúvida, existe esforço importante destinado a estimular médias, pequenas e até micro-empresas. Isto, porém, ainda é insuficiente, como se pode perceber diante do quadro de dificuldades que tais empreendimentos vêm enfrentando. Sem maior apoio, que inclui a redução ainda maior da carga tributária sobre a produção em geral, as dificuldades de quem busca na formação de um pequeno negócio a alternativa para a falta de trabalho vão se tornar cada vez maiores.
O avanço do desemprego pode se converter, sem dúvida, no mais grave problema do Governo, notadamente com vistas às pretensões do presidente Fernando Henrique Cardoso de obter outro mandato. Este dia do Trabalho deveria servir para uma boa reflexão oficial sobre a gravidade do assunto.

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