Editorial
Que o MST é um movimento político e não somente reivindicatório, já se sabia. O que não se sabia é que, após revelar-se um movimento moralista-juvenil - que outro nome se poderia dar a um grupo que expulsa uma militante por terem descoberto a beleza de suas formas? - é, agora, também, terrorista-energúmeno. Que outro adjetivo se poderia dar a um grupo que acaba de receber uma batelada de títulos de propriedade em São Paulo - inclusive para seu líder mais famoso - e anuncia que vai fazer mais 180 invasões já no mês que vem?
Os líderes do MST dão a impressão de ter concluído que mais títulos virão se fizerem mais invasões. Então, que tal fazer em um só mês tantas quantas fizeram em todo o ano passado? Parece cômico, mas com asneiras desse naipe o que esse movimento vai conseguir é a total reversão do apoio que a sociedade lhe deu, com razão, desde o seu início, por ser um escândalo a concentração de terras no Brasil. Tão grande que põe no chinelo a concentração de renda, uma das piores do planeta. Pois enquanto 10% da população detém 20% da renda nacional, no campo 10% dos proprietários detêm 50% das terras!
É este precioso argumento - motivo do apoio da sociedade e razão de ser do MST - que o movimento está jogando aos porcos por falta de visão, inteligência e bom senso. Pois com esta vergonhosa pérola - que salta aos olhos e não precisa de muito latim para entrar na cabeça do mais empedernido latifundiário -, o MST, organizado e articulado com os partidos de oposição e até de situação, mais a Igreja e outras instituições, faria a reforma agrária andar muito mais do que andou nos últimos três anos.
Como é o avesso que acontece, e mais invasões são anunciadas, a conclusão é uma só: o MST não quer terras. Quer, talvez, formar um partido político extremista, à esquerda do PT e da CUT, de feição irano-iraquiana, aliando a teologia de ocasião de alguns padres xiítas com a estupidez dos líderes, a ingenuidade dos liderados e o desespero de suas famílias. Até agora esse partido, ou coisa assim, não veio à luz por incapacidade de articulação de um grupo tão separatista e esquizofrênico - infelizmente, sem o brilho peculiar dos que sofrem desse mal.
E por que o MST não quer terras? Porque o título de propriedade pré-define a extinção do movimento. Pois quando a maioria dos sem-terra virar com-terra - ao fim e ao cabo de um programa que tem pelo menos 50 anos de atraso e vai levar mais uns 10 para ser concluído -, o MST vira pó. Na melhor hipótese vira um MeST do B - Movimento Ex-Sem Terra do Brasil, ou coisa que o valha, porque sem financiamento, sem máquinas, sem tecnologia, sem produtividade etc. Entre fazer um movimento com lógica política e um sem futuro político, os líderes do MST preferem coisa pior, um frankenstein sem sepultura, sem apoio de ninguém e sem graça nenhuma.
O anúncio das invasões foi feito pelo representante de Pernambuco na direção nacional do MST. Espera-se que a palavra do representante não goze da unanimidade da direção.





