As exportações brasileiras aumentaram 2,67% no ano passado em relação ao total de 1995, chegando perto dos 48 bilhões de dólares. Apesar do grande déficit comercial no período - as importações superaram 52 bilhões de dólares -, é importante o crescimento da participação brasileira no mercado mundial. O raciocínio é lógico: as exportações aumentaram porque produzimos mais a um preço competitivo, e isto significa que o setor exportador gerou empregos e pagou mais salários do que antes. Na outra ponta, boa parte das importações - máquinas e equipamentos - também geraram mais produto e mais empregos e salários internamente. O lado ruim do déficit não é o único lado da moeda.
O Brasil vive um momento novo em sua História. A estabilidade da moeda - e consequente valorização dos salários - trouxe para o mercado um grande número de pessoas que até recentemente não tinha recursos para comprar itens essenciais. Cerca de 15 milhões de pessoas continuam abaixo da linha de pobreza, mas a consolidação da estabilidade deve reduzir esse número nos próximos anos.
Na verdade, todas as faixas da população brasileira se beneficiaram desta nova era de moeda estável, inflação baixa e aumento das vendas. Isto provocou, em alguns períodos, uma pressão de consumo que só não elevou demasiadamente a inflação porque o Governo lançou mão das importações, reduzindo alíquotas para reequilibrar a oferta de produtos. Também restringiu o crédito e aumentou os juros, mas o reflexo maior na balança comercial veio da primeira medida.
Disto se depreende que o desafio, agora, é produzir mais, tanto na indústria como no campo, para formar excedentes exportáveis que reequilibrem a balança comercial e abasteçam ainda mais o mercado interno, para evitar a indesejada inflação de demanda. Tudo isso se consegue com investimentos e produção, e em épocas de aperto fiscal e monetário - como agora - a façanha vai depender dos incentivos aplicados na área tributária.
Algumas medidas já está sendo tomadas, como a isenção de ICMS nas exportações de produtos primários. Entretanto, há necessidade de que sejam adotadas também providências para o estímulo ao setor privado urbano. O empresariado brasileiro tem mostrado criatividade e coragem, mas enfrenta ainda muitos obstáculos, inclusive na legislação trabalhista.
Facilitar e desonerar a contratação de mão-de-obra também é um estímulo à produção - e ao emprego, outra coisa de que precisamos tanto. É hora de se ir fundo no estímulo real à produção para que o País possa aproveitar do melhor modo a estabilidade e a disposição do setor privado em investir. No ano passado, a taxa de investimentos interna passou de 15% para 16,6% do Produto Interno Bruto, isto é, de todos os bens e serviços produzidos em 1996.
É um sinal de que, com um pouquinho mais de estabilidade e segurança na sua continuidade, podemos chegar a 20%, marca que nos garantirá um crescimento anual do Produto Interno Bruto acima dos 7%. Nesses níveis, teremos dado um definitivo adeus à recessão e aberto as portas para a prosperidade.

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