Depois da grave crise de 1995, a agricultura continua a mostrar fortes sinais de recuperação, segundo dados levantados pelo professor Fernando Homem de Melo, da Universidade de São Paulo, um dos maiores especialistas do País em economia rural. A agricultura brasileira vai movimentar, até março deste ano, 15 bilhões de reais, o que representa um crescimento de 3,6% em relação ao valor obtido na safra de 96. Este é o segundo ano consecutivo de crescimento do valor da produção brasileira, inferior apenas ao da safra de 1994, que foi o maior da década, alcançando R$ 18,5 bilhões.
O crescimento da produção agrícola tem reflexos positivos em outros indicadores econômicos e sociais. Os bons resultados em 96 e agora em 97, período em que se consolida a estabilização da economia, são bastante conclusivos. A agricultura brasileira está se recuperando lentamente de anos de atraso e descaso oficial, coincidindo esta melhora com a significativa evolução no consumo de alimentos por parte da população desde o lançamento da nova moeda.
Os números indicam, no entanto, que é possível crescer muito mais. Os valores de 1994 podem ser repetidos e superados se houver não só estabilidade econômica, mas estabilidade de políticas de apoio à produção. O Brasil ainda precisa importar quase 2 milhões de toneladas de arroz e cerca de 600 mil toneladas de milho, que produzimos muito, sem falar no trigo, que produzimos pouco. Temos que melhorar o cuidado com a terra, o uso correto das técnicas de plantio e colheita, a produtividade, a armazenagem, a venda e o transporte, fora a instrução e educação rural.
Mesmo assim, a agricultura será superavitária no balanço do comércio mundial, graças ao grande volume de exportação da soja e suco de laranja, estimuladas pela isenção do ICMS nas vendas ao exterior, e apesar da queda nos preços internacionais do arroz, do milho e do trigo. O Brasil tem plenas condições de resolver seus problemas para atender à demanda interna de arroz e milho - e até mesmo de trigo, que não entrou no levantamento por fazer parte da safra de inverno -, o que aumentaria o valor da produção nacional e reduziria as necessidades de importação.
Por muitos anos e em razão de preconceitos históricos, o Brasil não reconheceu a agricultura como a base sobre a qual as nações podem construir uma economia sólida e um futuro próspero. Os 15 bilhões de reais que a safra de verão coloca na economia brasileira este ano, na verdade, constituem pouco diante do que se pode alcançar se houver visão objetiva e trabalho concreto de apoio ao campo. E isto finalmente começou a acontecer de dois anos para cá. Há políticas em andamento para não só apoiar a produção, como também criar mais e melhores condições para a agricultura. Mesmo a reforma agrária, tão lenta e criticada, já apresenta números mais animadores, com o assentamento de cem mil famílias nos dois últimos anos.
O campo responde de modo rápido e efetivo ao incentivo dado. Não só nos índices de produção, mas também nos indicadores sociais e de qualidade de vida, no campo e nas cidades. O Brasil tem muito para crescer. Investir na produção agrícola, que gera empregos e renda para milhões de pessoas, é o modo efetivo de garantir o desenvolvimento no sentido mais amplo da palavra.

mockup