Editorial
Um grande investimento
A assinatura do ministro dos Transportes, Alcides Saldanha, nas ordens de serviço para a duplicação de sete lotes paranaenses da BR-116, ontem em São José dos Pinhais, é uma grande notícia para começo de ano. O objetivo do Governo federal é duplicar toda a extensão das BRs 116 e 101, de São Paulo até Florianópolis - a BR-376 já foi duplicada e modernizada com recursos do Paraná á- convertendo a tristemente lembrada Estrada da Morte em Rodovia do Mercosul.
Serão investidos R$ 1,283 bilhão, que transformarão a rodovia - num total de 692 quilômetros - na maior obra rodoviária dos últimos 30 anos no Brasil. Isto demonstra, ressaltou o ministro Alcides Saldanha, a disposição oficial de realizar obras para dar condições efetivas à integração continental. Segundo o organograma, a duplicação deverá estar concluída em dois anos, podendo assim ser entregue ao final do atual mandato do presidente e dos governadores.
É isto o que se estava esperando há muito, não só no Paraná mas em todo o Sul do País. Há anos a BR-116 transformou-se num calvário para os motoristas em geral e para a população das cidades e lugarejos às suas margens. O quadro em muitas outras rodovias deste imenso País não é diferente. Os mortos, os feridos e os prejuízos causados pelas precárias condições da maioria das estradas federais têm graves consequências para o País.
O Brasil, que deveria ter um sistema de transporte diversificado entre rodovias, ferrovias, hidrovias e cabotagem, devido à sua extensa faixa litorânea, preferiu plantar somente rodovias. É um erro histórico. Atualmente, há um esforço concreto para dar à cabotagem um papel melhor no quadro da circulação de mercadorias e pessoas, inclusive com a importante reforma que permite a empresas estrangeiras operar no setor. Do mesmo modo, com a privatização da operação das ferrovias abrem-se perspectivas melhores para este importante segmento. Entretanto, por seu número e importância, é imprescindível dar atenção às rodovias que hoje cortam o País e em grande parte estão em péssimas condições.
A duplicação da estrada que corta o Paraná desde São Paulo é uma obra que deveria ter sido feita ainda no começo da década de 80. Ela vai acontecer com pelo menos 15 anos de atraso. Mas, antes tarde do que nunca. A lamentar, apenas, que as vidas ali perdidas constituam um duro atestado da falta de empenho e da irresponsabilidade de governos anteriores.
A entrega da administração da nova rodovia à iniciativa privada por 22 anos, anunciada também pelo ministro, é outro fato importante. A privatização é uma garantia adicional de que a estrada será preservada e melhorada com o correr do tempo. E por falar em tempo, há previsão de que a duplicação e a boa qualidade permanente das pistas reduzirão em 30% a duração das viagens.
Este é o caminho para a concretização não só do Mercado do Cone Sul, como também do desenvolvimento da região Sul do Brasil. Investir em estradas - de todos os tipos, bem entendido - é um dos meios para dar efetiva estrutura ao desenvolvimento econômico. E é animador que isto aconteça num começo de ano e numa rodovia de triste memória, alimentando a esperança de que neste Estado teremos desenvolvimento econômico com respeito ao cidadão e à vida.





