O ser humano é o único dos animais que sabe destruir, sistematicamente e às vezes inconscientemente, o ambiente em que vive. Desde que se colocou sobre dois pés e iniciou a conquista do mundo, o ente humano passou a explorar o meio em que vive sem nenhum cuidado. Nos primórdios, a natureza dispensava maiores atenções, mas quando a tecnologia passou a agredir o meio ambiente, a partir da revolução industrial, a sociedade humana ligou o mecanismo de uma bomba de tempo. O momento da explosão aproxima-se um pouco mais cada vez que se desmata, que se derrama petróleo no mar, que se polui a atmosfera, que se envenenam os rios e se deixa a erosão matar os campos. O mundo está com seus dias contados, se a inteligência humana não ajudá-lo a sobreviver.
Foram necessários milhões de anos até se chegar à situação atual, em que o meio ambiente está efetivamente ameaçado de destruição devido à ação desordenada e predatória do homem. E somente há pouco tempo é que começou a surgir a percepção dos danos causados e do risco para a sobrevivência da espécie humana. E mesmo este despertar ainda não parece ser o suficiente para mudar o rumo das coisas, dos hábitos, dos vícios, e evitar a catástrofe que os ecologistas antecipam.
Ontem, representantes de 160 países iniciaram em Kyoto, no Japão, aquela que deve ser a etapa final de um processo iniciado há pelo menos cinco anos, com a Conferência da ONU sobre o meio ambiente realizada no Rio de Janeiro, a Eco-92. Eles discutem formas de se reduzir as emissões dos gases produzidos pela queima de combustíveis fósseis que provocam o efeito estufa e já ameaçam o equilíbrio ecológico do planeta, com consequências naturais, econômicas e sociais catastróficas.
O grande desafio é quase um dilema: como manter a prosperidade dos países ricos e permitir que os países pobres se desenvolvam sem destruir o que resta do planeta? A sociedade humana não só se acostumou a ser predadora, como se nega a enxergar os riscos causados pelos abusos que vem cometendo. Trata-se de um dos problemas mais sérios que a humanidade enfrenta neste final de milênio.
Os países industrializados já admitiram sua responsabilidade pelo problema e chegaram a se comprometer a diminuir suas emissões de gases, até o ano 2000, aos níveis de 1990. Entretanto, poucos tomaram providências para cumprir o prometido. Pior: a maioria aumentou suas emissões. Diante disto, em 1995 decidiu-se tornar o compromisso obrigatório. Iniciou-se, então, a discussão de um protocolo que fixa metas quantitativas e prazos de redução. Mas as declarações preliminares ao encontro, com o anúncio de posições mais radicais por parte dos países desenvolvidos, não deixam maior esperança em relação a acordos capazes de reverter o quadro atual.
Ocorre que não há como fugir à realidade de uma situação potencialmente catastrófica. Não são poucos os ecologistas que, mais pessimistas, assinalam que a destruição ambiental já chegou a um ponto que não tem volta. Mas se houver vontade política mundial, a partir das grandes corporações e dos governos dos países ricos e emergentes, este quadro pode ser revertido. Disto irá depender o futuro econômico e biológico da humanidade.
No Brasil, ainda estamos cegos e surdos para a destruição, e se não fizermos nada nos próximos anos - notadamente na Amazônia, mas também nos vastos campos que exaurimos todos os anos - vamos nos arrepender amargamente.

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