Editorial
Analistas que se debruçam sobre a evolução histórica do mundo afirmam que a situação atual em relação ao trabalho é muito similar à ocorrida ao final do século passado, época em que aconteceu enorme transformação com o advento da industrialização. Hoje, indicam, há nova e profunda mudança, provocando também alguns dos traumas do passado, entre os quais a queda na oferta de empregos.
De fato, esta alteração é fácil perceber, apesar do modo fatalista como alguns encaram parecer deslocado. O que ocorreu no passado não deve servir para conformação no presente e sim como lição. As circunstâncias atualmente são diversas, há maiores desafios, mas, paralelamente, existem amplas oportunidades. O que se reclama, inclusive em nível mundial, é justamente uma revisão em face de todo o sistema vigente, com a busca de alternativas objetivas para conseguir resolver o problema de oferecer trabalho a uma população crescente.
Uma das falhas da perspectiva passada decorre justamente de um equívoco conceitual. Pensava-se, há meio século, quando as maiores transformações começaram a ocorrer, que neste final de milênio seria diferente a situação do homem no mundo. Imaginava-se, então, que neste período que estamos vivendo o ser humano trabalharia cada vez menos, sendo portanto maior a preocupação com o lazer do que com o trabalho. Não é esta a realidade atual. E o mais sério é que a evolução técnica, que serviu para tornar mais agradável a vida de muitos, também complica a questão do emprego. Indústrias aumentam a produtividade e diminuem a necessidade de funcionários. A solução considerada mágica no passsado, de criar indústrias para garantir empregos, não é mais tão eficiente. É preciso, portanto, mudar conceitos, encarar o desafio atual com maior criatividade e inteligência.
No Brasil, alguns setores já se aperceberam da necessidade de mudanças. Empresários e trabalhadores, inclusive, tentaram formular novas relações, visando facilitar a situação e obter a criação de mais postos de trabalho. Tem havido também uma salutar disposição oficial no sentido de estimular as médias, pequenas e microempresas, que efetivamente constituem alternativa muito interessante para esta época de transição. O que tem faltado neste, como em outros setores da vida nacional, é decisão mais firme das autoridades, notadamente na esfera legislativa, até para modernizar as leis que regem as relações trabalhistas. Os avanços obtidos, inclusive a aprovação pela Câmara Federal de mudanças em relação ao trabalho temporário, ainda são tímidos.
É preciso avançar mais no particular, como na questão relativa à tributação. Neste caso, o fundamental é necessário diminuir o peso fiscal sobre o trabalhador, até como forma de melhorar a arrecadação diante do aumento do número de pessoas com emprego. O atual sistema de encargos sociais onera de modo terrível o empresariado, tornando pouco atrativo o investimento para geração de empregos. Mudando a lei, estimulando-se a criação de empregos e a melhoria salarial, haveria mais condições até de melhorar a arrecadação para os cofres públicos, com efeitos em cascata sobre toda a economia.
O País precisa de mudança plena na visão relativa ao trabalho e às formas de criação de empregos. O desafio hoje é muito grande. Entretanto, é plenamente possível vencê-lo, através de melhorias na legislação trabalhista, pelo estímulo à pequena, média e microempresa e também com maior apoio ao campo, que tem potencial imenso para atender às necessidades de trabalho de boa parte da população.





