Há um ano, mais ou menos nesta época, o ministro Pedro Malan, juntamente com outros membros do governo, previa para este 1996 taxa de inflação na casa dos 15%, considerada adequada dentro das projeções do plano de estabilidade. Hoje, às vésperas do final de 96, já se sabe que a previsão estava errada. Felizmente, o erro era para mais. Mesmo sem o resultado final do peso que o recente reajuste dos combustíveis pode ter sobre o índice de dezembro, não há dúvidas de que a taxa de todo o ano, se não ficar abaixo dos 10%, a famosa e perseguida inflação de 1 dígito, não passará em muito aquele total. E embora os eternos críticos já tenham ensaiado seus comentários negativos, culpando o governo caso o número final ainda permaneça nos dois dígitos, é necessário reconhecer que um total anual por volta de 10% ainda é muito bom e de qualquer modo significa vitória sobre a previsão feita no ano passado.
Neste final de ano, o ministro Malan já fez sua estimativa para 1997 e, outra vez, se mostra cauteloso, considerando possível que o índice para o próximo período fique pela casa dos 7%. Vale lembrar que a projeção feita por outros especialistas é até mais otimista, apontando-se a possibilidade de o total de 97 ficar em 5%. Em um como em outro caso, são previsões alentadoras e que ampliam a confiança em torno do plano de estabilidade, que às vésperas de completar três anos (o que acontece em fevereiro, quando foram lançadas as bases do real, com a criação do Fundo Social de Emergência e início de indexação plena, abrindo caminho para a desindexação), se mostra cada vez mais firme, porque inteligentemente elaborado e adequadamente conduzido.
Importa, porém, perceber que uma economia estabilizada exige resultados ainda melhores. Não há dúvidas, hoje, que o País está trilhando o caminho certo. Entretanto, vale ressaltar que à medida que o índice baixa, a luta fica ainda mais difícil. Sempre se soube, ainda mais diante do componente indexatório da inflação brasileira, que seria até fácil baixar os índices dos quase inacreditáveis 40% a 50% ao mês para alguma coisa menos traumática. Isto, inclusive, foi conseguido nos choques econômicos precedentes, desde o Plano Cruzado, de 1986. O problema estava, porém, em dar sequência a partir daí ao programa, o que só se obteve neste Plano Real. E o desafio é ir além, atingindo a situação ideal de uma economia que atravesse o ano com níveis inflacionários pela casa dos 3% a 4%, o que é hoje aceitável pelo fato de a própria economia mundial estar em torno deste índice.
Ademais, vale insistir em que, para o pleno sucesso do programa, é preciso maior participação oficial. Até agora, a parcela principal de todo este sucesso é, sem dúvida, da população. A observação feita pelos especialistas, indicando que 40% do índice inflacionário deste ano decorreu ainda da política do governo em relação às tarifas e aos preços controlados, é importante. Significa que pelo menos 4% dos 10% da inflação de 96 foi resultado da pressão daqueles preços.
O sucesso da boa previsão do ministro Malan, para 97, depende assim, em grande parte, do próprio comportamento do Executivo. E, sem dúvida, as coisas ainda poderão ser melhores se em nível Legislativo houver bom aproveitamento do ano sem eleições para concluir as reformas estruturais, que aguardam sua vez nos escaninhos do Congresso. Os brasileiros estão fazendo sua parte desde o começo do plano. E muito bem. Com um pouco de ajuda do governo será bem possível não apenas que se cumpram as previsões do sr. Malan, mas até que se atinja resultados ainda melhores no ano que vai começar.

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