Governadores do Nordeste pedem ao Banco Central que seja estabelecido um limite nos financiamentos de viagens ao exterior. Segundo a Comissão de Turismo Integrado, formada pelos estados nordestinos, o crédito fácil demais para quem vai ao exterior está comprometendo o turismo nacional. Na próxima terça-feira, os governadores da região vão participar da reunião da Câmara de Política de Infra-Estrutura que estudará uma nova política de preços para o transporte aéreo de passageiros.
Os governadores estão certos em sua preocupação, mas errados na forma como buscam resolver seus problemas. Não há dúvida de que o turismo pode ser, e não só para o Nordeste mas para todo o Brasil, uma grande fonte de receita e de oportunidades de emprego, salário e renda para centenas de milhares de pessoas e dezenas de milhares de empresas, entre elas hotéis, agências de viagens e turismo, companhias áereas, de ônibus, vans para passeios etc. Mas não se pode perder o fio da meada. Dificultar o financiamento para as viagens ao exterior, por exemplo, a fim de incrementar o turismo interno, é confundir alhos com bugalhos. Viaja-se mais ao exterior não só porque é mais barato - e continuará sendo -, mas também porque há mais atrativos lá do que cá.
A velha lei da oferta e da procura explica por que as passagens aéreas para o exterior são muito mais baratas do que os bilhetes domésticos. No Brasil, por razões econômicas, poucas pessoas viajam de avião. O preço, consequentemente, é muito mais caro do que no mercado internacional, onde a realidade é inversa. Pelas mesmas razões, a diária nos hotéis domésticos é muito mais cara do que no exterior. Mas simplesmente encarecer, através da limitação do financiamento, o turismo externo não resolve o problema interno. Pois é o turismo interno que tem de custar menos para ser alternativa ao turismo externo.
Os governadores estão certos, portanto, quando apóiam a redução de preços e tarifas do transporte aéreo de passageiros. Isto efetivamente ajuda a reduzir os cutos do nosso turismo, e não só para os brasileiros mas também para os estrangeiros que chegam. Começa aí um trabalho válido para criar condições mais atrativas. O assunto interessa, sem dúvida, às próprias empresas aéreas, que aumentariam seus lucros se a frequência de passageiros crescesse. É possível (e muito mais adequado) ganhar mais, cobrando menos e levando um número superior de pessoas, do que manter tarifas altas, porque o número de passageiros é pequeno. A concorrência, neste aspecto, faria milagres.
Hotéis e todos os outros setores envolvidos no turismo, igualmente, precisam modernizar o modo de trabalho, oferecendo mais e cobrando menos, porque desse modo terão mais público e os aviões estão chegando com mais turistas.
O Brasil, com seu clima, suas praias, seus costumes e peculiaridades, tem condições de atrair visitantes de todas as partes, inclusive do próprio Brasil. E aos poucos, atraindo mais investimentos para o setor, pode oferecer outros atrativos que hoje só estão no exterior. Em vez de restringir, fechando portas, o que se deve fazer é reduzir custos para abrir alternativas e construir, aqui, uma sólida e rentável indústria do turismo.

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