Editorial
O Brasil se encaminha rapidamente para uma nova (e melhor situação) em sua economia, como se pode notar não só pelos índices oficiais que vêm sendo divulgados, mas pela simples percepção relativa aos acontecimentos do dia-a-dia. Os cada vez mais baixos indicadores da inflação indicam que o caminho está certo. Agora, está cada vez mais próxima a hora de se deflagrar uma nova etapa neste processo. O plano de estabilização, lançado há mais de 3 anos, tem apresentado resultados fantásticos, tanto do ponto de vista econômico como no aspecto social. De fato, não se pode ignorar o fato de que neste período uma substancial parcela da população, que vivia na faixa da mais negra miséria, foi resgatada. Mas ainda há alguns milhões de brasileiros que precisam superar este estágio, assim como é necessário que as outras faixas consigam, também, superar sua situação e melhorar de vida. Este é o anseio natural do ser humano, tanto dos mais carentes quanto dos que estão um pouco ou muito melhor.
Está chegando a hora de o Brasil lançar-se a um novo processo de crescimento econômico que pode ser realizado sem que ocorram os indesejáveis efeitos de um retorno inflacionário. É clara a necessidade de se investir mais na atividade produtiva, o que propiciará aumento na produção e consequente crescimento na renda individual. Não se pode esquecer que o Brasil tem condições propícias para realizar o grande salto econômico, neste final de século, atingindo uma posição ímpar no cenário mundial e, o que é mais importante, resgatando definitivamente seu povo das garras do subdesenvolvimento e da miséria. As condições estão aí, o importante é que haja um esforço consciente e concentrado no sentido de se criar condições para este salto.
E neste particular, além de se reclamar das autoridades a adoção de uma postura mais objetiva, inclusive através de reformas na legislação, facilitando e estimulando os investimentos produtivos, importa chamar a atenção para outro problema que pode frear, desastrosamente, todo o processo de crescimento que o país reclama. Trata-se da questão energética. Lamentavelmente, até mesmo devido às próprias circunstâncias decorrentes das enormes dificuldades econômicas que o País enfrentou, houve um redução substancial nos investimentos em obras de produção de energia. O Brasil, que potencialmente tem excepcionais condições para a produção de energia, corre riscos agora porque houve descuido na questão, fato que já provocou problemas similares em outras épocas.
Estes últimos anos, de melhoria na qualidade de vida do povo, trouxeram, até naturalmente, novos problemas. Os brasileiros estão consumindo mais energia e volta à tona um problema que tem sido sempre destacado pelos analistas mas que vem sendo descurado pelas autoridades: se não houver mais produção de energia, o risco em médio espaço de tempo, não é só de blecaute, mas de uma freada no próprio crescimento, com efeitos terríveis para toda a população. Será preciso investir muito e rapidamente no setor. Mas, naturalmente, vai-se dizer que apesar dos fatos positivos, o Governo não tem recursos para isto.
Ora, diante disto, é natural que só existiria uma opção racional e efetiva: conseguir investimentos na esfera privada, o que implicaria em se pensar mais seriamente na privatização do setor. Naturalmente, esta questão provoca muitas controvérsias mas não há como deixar de perceber que sem uma visão diferente do problema, o risco será o de se frustrar não só o processo de crescimento econômico, mas o de se lançar de novo milhões de pessoas numa situação de desamparo. O que não é, de modo algum, a solução que se pode desejar para o povo brasileiro.





