Descontrole na UEL


No pedido de intervenção na Universidade Estadual de Londrina (UEL), que agora faz, a Promotoria de Defesa do Patrimônio Público solicita à Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior que tome medidas para que seja restabelecido o controle na administração da instituição. Isto significa que impera um descontrole na UEL, que a promotoria qualifica de ''descalabro administrativo'', tal ocorrendo em função da greve dos professores e servidores, que vigora há mais de 90 dias.
O descalabro está caracterizado pelos seguintes fatos, assinalados pela promotoria: redução do atendimento no Hospital Universitário (HU), que é uma instituição que atende principalmente a carentes; não-convocação de servidores comissionados e ocupantes de funções gratificadas, para trabalharem; triagem de pacientes feita pelo comando de greve na porta do HU; suspensão do vestibular, mesmo depois da afirmação do órgão encarregado do concurso de que havia condições técnicas de realizá-lo.
O Conselho Universitário, que é constituído, na quase absoluta maioria, por integrantes dos próprios quadros da UEL portanto também grevistas, no presente momento não hesitou em suspender o vestibular, e o reitor, que na verdade não administra sozinho, não pôde impor sua autoridade. Em tais condições, o que se assiste é a Universidade de Londrina sob o domínio de comandos que não têm atentado para os prejuízos que essa paralisação está causando.
No caso de Londrina, o movimento grevista justo quanto à reivindicação assume proporções mais graves por tratar-se da maior universidade estadual do Paraná e que também administra um hospital-escola, que atende sobretudo a gente sem recursos. Essas pessoas vêm de todos os pontos do Estado e encontram o HU fazendo triagem de pacientes e atendendo com apenas 25% de sua capacidade.
O governo do Estado, que é o grande responsável pelo que ocorre, vem de um descaso de 6 anos para com os professores e servidores das universidades estaduais, pois congelou seus vencimentos e nem sequer cobriu os índices da inflação. Porém, agora acena com uma solução para abril de 2002, pois pouco ou nada pode fazer no presente exercício, até porque não dispõe de recursos orçamentários.
A sensatez recomenda que a greve seja suspensa, o vestibular restabelecido e que se permita recuperar, em janeiro e fevereiro, o tempo perdido dos estudantes. Há que estabelecer uma trégua até o prazo anunciado pelo governo. Aí então as lideranças comunitárias deverão fazer cerrada pressão sobre o governador que estará em seu último ano de mandato para que cumpra a palavra empenhada.

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