EDITORIAL
Trânsito e CMTU
Há que conter o ímpeto dos motoristas faltosos, mas as medidas que são tomadas pelo Poder Público, para evitar acidentes de trânsito, são no mais das vezes punitivas e não preventivas. Londrina começa a instalar câmeras de vigilância para detectar infratores que atravessam o sinal vermelho um projeto de R$ 500 mil, para 50 dessas videovigias, que serão implantadas até 2003.
Os motoristas, em princípio, aplaudem a medida, porque tudo o que se faz para melhorar a qualidade do tráfego de veículos é sempre importante, mas antes dessas câmeras a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) deveria tomar outras providências, menos onerosas e igualmente necessárias, que diminuiriam as possibilidades de o motorista cometer infrações e o pouparia das multas.
Se há motoristas que avançam o sinal imprudentemente, há também os que são levados a que isso aconteça, porque os antigos semáforos (ainda maioria em Londrina) são enganadores, e nisso o Poder Público tem responsabilidade. Ocorre que, com esses velhos equipamentos de três tempos, o motorista vê o sinal verde e vai seguindo, mas quando chega próximo, o sinal começa a fechar. Então, ou ele breca bruscamente, podendo gerar colisão de quem vem atrás, ou avança e é multado. As queixas dos motoristas, em função disso, são muitas, e acredita-se que grande parte das multas por avanços de sinal sejam dessa natureza. Se com os guardas é assim, imagine-se daqui para a frente com as videovigias!
O semáforo mais moderno, de sete tempos inventado e lançado em Maringá e que só três décadas depois Londrina resolveu adotar são eficientes e evitam acidentes, mas tal sistema só existe em algumas ruas. Predominam as antigas máquinas, que agora vão fazer companhia às modernas câmeras. Encher a cidade de guardas e de câmeras vigiadoras é uma medida que deveria vir só depois que fosse instalada toda a equipagem pública para facilitação do tráfego urbano.
Ocorre que há ruas com sinalização insuficiente, outras não permitem conversões sem riscos, pela ausência de canaletas, vias de retorno só existem depois de longos trechos, os semáforos antigos estão fora de sincronia entre si, isto resultando em demoradas e desnecessárias paradas diante deles, com grande desperdício de combustível e de tempo.
Não se fez ainda um reestudo para possibilitar, onde possível, o estacionamento em ambos os lados das ruas, o que amenizaria o sério problema de estacionar. Certas ruas poderiam ter duas mãos, em outras o estacionamento poderia ser em diagonal, as avenidas de maior fluxo deveriam ter sinaleiros de pisca intermitente, para os horários de pico, sem que o motorista fique esperando pelo sinal abrir se não há carro pelas transversais. A Avenida Higienópolis, até o Shopping Catuaí, é uma delas.
Estas são medidas que custam pouco dinheiro e resolvem. Em grandes cidades do mundo Rio de Janeiro incluído em certos horários as avenidas de pistas duplas chegam a ser liberadas para um só sentido, o de maior fluxo. Naturalmente que os guardas estão na rua, orientando.
Uma solução que evita acidentes, nas esquinas onde não há sinaleiros, é determinar estacionamento intercalado, nos dois lados da rua, uma quadra em um lado, outra em outro. Assim, não seria permitido estacionamento que encobrisse a visão no lado da rua que o motorista olha, para certificar-se se vem carro.
A prefeitura também deveria regulamentar os preços dos estacionamentos particulares, porque alguns abusam, e se eles têm licença para funcionar devem também atender às necessidades da cidade, que tem muitos veículos e pouco lugar para estacionar; eliminar com os abusos dos ''cuidadores'' de carros; disciplinar o tempo de permanência das caçambas coletoras de detritos e exigir que paguem estacionamento, assim como nós pagamos Zona Azul. Outra providência que precisa ser tomada é evitar que certos estabelecimentos, de pátios recuados, reservem toda a área fronteiriça para entrar e sair com seus veículos, pois a lei estabelece apenas uma entrada de garagem. Alguns chegam a colocar sinalização e os abusivos avisos de ''sujeito a guincho''.
Outros problemas é que, fora da zona central, não há placas com os nomes das ruas, e com isso os motoristas (e as pessoas em geral) têm dificuldade de localizar-se e orientar-se. A prefeitura deve também exigir que cada residência ou edifício coloque, em lugar visível, o número do respectivo imóvel, porque tudo isso tem a ver com a facilitação da vida dos cidadãos. Coisas que se faz com pouco dinheiro, apenas com boa vontade e um plano de melhoria da qualidade da cidade.
A população colabora, quando motivada. Sabe-se que o prefeito Nedson Micheleti tem preocupação com essas questões, mas precisa que seus assessores especializados o auxiliem, pois é para isso que existem. Quando todos os mecanismos que competem ao Poder Público estiverem instalados, aí poderão ser implantados os instrumentos de punição aos infratores.





