EDITORIAL
Mentalidade mínima
Se o salário mínimo fosse o máximo como se costuma exclamar diante de uma coisa grandiosa não teria o nome de mínimo. E um salário mínimo da forma que são mínimas as preocupações dos governantes com a questão dos ganhos do trabalhador resultará sempre em desenvolvimento correspondente, ou seja, o mínimo. Preferem, os legisladores, ter leis trabalhistas severas, que punam a empresa e contemplem o trabalhador com uma loteria indenizatória em caso de demissão, em vez de estudar seriamente a política nefasta que rege a dinâmica do trabalho. Agora os congressistas alardeiam vitória porque chegaram ao consenso de que, a partir de abril do ano que vem, o salário mínimo subirá 20 reais.
Já tivemos um salário mínimo que adquiria cinco vezes mais bens que o de hoje. Era, então, um salário máximo em seu poder de compra. A maior parte dos brasileiros sobrevive do salário mínimo. Esta a nação que somos: de uma maioria de cidadãos que apenas sobrevivem. A eles são negadas quase todas as regalias que a vida oferece, embora existam potenciais recursos para todos viverem bem. Se outros países do mundo, mais problemáticos em suas performances físicas (como pouco terra, as neves, regiões montanhosas, as superpopulações, chegaram a um elevado padrão de vida, por que não o Brasil?! É vergonhoso que uma nação que fala em alcançar crescimento econômico e perfilar entre os grandes povos do mundo, tenha um salário mínimo de R$ 180 e que daqui a quatro meses irá para R$ 200.
Porém, o mais perverso do sistema é o governo obter renda sobre os ganhos do trabalhador, na forma dos pesados encargos que recaem sobre a folha de pagamento do pessoal, nas empresas, recursos que bem poderiam ser canalizados para o bolso dos empregados. Retirar esses encargos seria a demonstração do real desejo de contemplar e dignificar o trabalho e o trabalhador. Seria, esta sim, uma vitória dos congressistas e uma vitória da justiça social, termo tão empregado nos discursos demagógicos mas que custa a se concretizar na prática. Os meios para cobrir a Previdência Social se este é o contra-argumento do governo poderão sair do enorme volume da outra pesada carga tributária imposta sobre as empresas e os cidadãos e que serve para alimentar a inchada e pouco operante máquina governamental, suas mordomias e a corrupção institucionalizada.
Também a classe empresarial poderá alegar que não tem suporte para bancar salários mais altos, mas ocorre que também ela pensa em termos do momento presente, com os encargos sociais elevados, lei trabalhista leonina e voraz contra a empresa, juros assassinos praticados pelos bancos, arrocho nos impostos, baixo volume de negócios e sistema econômico de resultados mínimos. Nesse universo é realmente problemático a empresa aguentar mais alguma forma de ônus. Mas imaginemos o inverso: ausência dos encargos e a destinação do respectivo valor para os empregados, lei trabalhista flexível, que contemple a empresa e o empregado, plenitude de produção e consumo, menos burocracia e menos impostos, mais dinheiro na mão da população e menos na mão do governo, enfim moeda circulando em torno de atividades produtivas.
Para que isso aconteça será necessário afastar os entraves burocráticos, que haja menos gestão oficial nas relações de patrões e trabalhadores e menos domínio do governo sobre a moeda; mas, sobretudo, políticas que melhor remunerem o trabalhador, porque é ele quem alavanca o desenvolvimento, não só pela sua produção braçal mas pelo dinheiro que semeia no mercado, por força do consumismo gerado pelo trabalho.





