EDITORIAL
Sanidade animal
Porque a opinião pública cobra menos, certas questões de grande relevância para o Paraná vão sendo relegadas, como a defesa sanitária animal, agora na iminência de sofrer baixas pelo descaso do governo com os salários dos profissionais da área. Há o risco de esvaziamento no corpo técnico desse setor, com a iminente debandada de mais de 50 especialistas do Departamento de Fiscalização Sanitária da Secretaria da Agricultura, porque o que eles ganham não vai além de R$ 1.300 mensais, incluídas as gratificações.
Um despropósito, tratando-se de profissionais desse nível, muitos com pós-graduação e altamente necessários no momento em que os rebanhos paranaenses precisam ser protegidos, sobretudo contra a febre aftosa.
O Paraná é, hoje, área livre de aftosa por mérito do trabalho desses técnicos, que são idealistas e se dedicam intensamente às tarefas que desempenham. O descaso do governo, ao pagá-los tão mal, mais que um desrespeito ao trabalho desse pessoal especializado é uma imprudência, ainda mais agora, quando a agropecuária paranaense investe na expansão do negócio e quer intensificar a exportação de carne.
Um setor altamente promissor é o da carne suína, que nesta safra vai render US$ 350 milhões ao Paraná, com perspectiva de crescer agora que a China entra na Organização Mundial do Comércio e está interessada não só na carne mas também em outros produtos brasileiros.
Esses poucos técnicos que ameaçam ir embora, e o pouco que representa o investimento salarial que se fizer neles, poderão fazer a diferença no sucesso ou no fracasso das exportações de carne paranaense. Nem se pode pensar o que ocorreria de desastroso para a agropecuária do Paraná com o retorno de focos de febre aftosa. O próprio ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, está apelando aos governadores de todos os Estados para que não descuidem da defesa sanitária animal, neste momento em que o Brasil está se reestruturando para conquistar novos mercados importadores de carne e cujas exigências são extremamente rigorosas.
A seriedade da situação foi confirmada por técnicos do Centro Pan-americano de Febre Aftosa que estiveram recentemente no Paraná. Em seu relatório eles consideraram a estrutura de defesa sanitária animal, no Estado, insuficiente para manter a área livre da doença, mesmo com vacinação.
Já há um déficit de pessoal, nessa estrutura de vigilância, e com a ameaça de saída desses 50 técnicos atraídos por melhores salários em outros pontos a situação fica preocupante. O Paraná não só não pode perder gente tão qualificada, na área da fiscalização sanitária animal, como deve contratar urgentemente os concursados aprovados há mais de um ano, conforme um alerta publicado na semana passada pelo Conselho de Medicina Veterinária do Paraná.
O caso preocupa e precisa receber a atenção do governador Jaime Lerner. Uma negligência agora, numa questão tão simples de resolver que é a relacionada com esses técnicos e seu pouco ganho pode causar um prejuízo futuro de milhões de dólares se o Paraná perder esse rico filão do mercado exportador.





