Um anúncio preocupante


Causou preocupação uma nota pública do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Paraná (CRMV), divulgada ontem nos jornais, alertando que o governo do Paraná pode perder prazo e assim colocar em risco a exportação de carne, pelo Estado. O alerta é de que 20% das Unidades Veterinárias da Secretaria da Agricultura estão sem profissionais, e que o prazo de 4 anos para admissão de concursados expira em maio do próximo ano. E mais: que 26 das 120 Unidades Veterinárias da Defesa Sanitária Animal estão sem veterinários.

Isto, segundo a advertência do Conselho, pode resultar na perda do trabalho executado nos últimos 30 anos para conquista do status de área livre de febre aftosa, com o risco de que voltem a peste suína clássica, a scrapie e a gripe equina. Desnecessário repetir que o Paraná é uma Estado marcadamente agrícola e pecuário e que esses dois segmentos são os grandes pilares de sustentação econômica do Estado.

Não pode, pois, o governo negligenciar, porque a falta de profissionais como alerta o presidente do CRMV, médico veterinário Paulo Borba afeta o trabalho da defesa sanitária, pode comprometer as metas da campanha contra a febre aftosa e facilitar o retorno da doença. Esse departamento também cuida da fiscalização do trânsito de animais dentro do território paranaense e pelas fronteiras estaduais e internacionais, o que é feito para garantir a sanidade dos rebanhos, ponto fundamental nesse processo de vigilância, pois as doenças podem ser alastrar em questão de dias.

Ocorre que em abril de 1996 o governo do Paraná autorizou a contratação de veterinários, através de concurso público, mas não efetivou todos, e a validade do concurso expira em maio de 2002. Dos que faltam ser contratados, para completar o quadro, seis profissionais chegaram a fazer os exames médicos exigidos e estão dependendo apenas da assinatura do governador para serem admitidos. Faz quase um ano que se espera por isso.

Só após a contratação desses seis é que poderá ser aberto processo para contratar os outros 20 já aprovados. Mas o problema é que, a partir de então, será preciso respeitar os prazos burocráticos, que são de 10 dias para publicação no Diário Oficial, 30 dias para que os candidatos se apresentem, 15 dias para as férias coletivas do funcionalismo do Estado e cerca de 30 dias para a concorrência pública entre as empresas que se habilitarão a efetuar os exames médicos, mais o prazo para os exames propriamente ditos e a escolha da cidade por parte dos candidatos.

O temor é que se perca esse prazo. O Conselho de Veterinária põe números à mesa e questiona quanto o Estado vai deixar de ganhar, em dólares, se forem fechadas para o Paraná as portas dos mercados internacionais de carne. Há que dar credibilidade a esse alerta do CRMV, por partir de onde parte, e o governo não pode negligenciar na parte que lhe compete. Se o mal não é combatido na origem, os prejuízos inevitavelmente virão, e aí poderá ser tarde demais. Deve saber o governo que se a atividade agropecuária, no Paraná, vai bem, tudo o mais irá bem.

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