O fato de muitas prefeituras do Paraná, há já bastante tempo, estarem atendendo apenas em meio expediente, e mais da metade delas anunciarem, agora, férias coletivas dos servidores tudo isso como fórmula de conter gastos demonstra claramente que não havia necessidade de certas regiões haverem sido convertidas em municípios. Há governos municipais em demasia, tanto que, em grande número de pequenas comunas, atender expediente inteiro ou apenas meio período, ou mesmo fechar temporariamente as portas da prefeitura, não faz grande diferença, com a população sobrevivendo da mesma forma, e muito bem.
Houve no Paraná tempos de prodigalidade melhor dizendo, de irresponsabilidade da Assembléia Legislativa, que aprovou a criação desordenada de tantos municípios apenas para atender a desejos de lideranças políticas locais, sem que tais regiões tivessem suficiente estrutura econômica para manter-se como município. Há uma prefeitura no Estado que está praticamente fechada desde julho e só reabrirá em dezembro, e a população não deve estar sendo prejudicada por isso, a não ser pelo fato de continuar pagando impostos para manter essa estrutura, mesmo que inoperante.

Dos 399 municípios do Paraná, metade deles, se submetidos a um pente-fino, revelarão não terem razão de existir e que a respectiva área territorial bem que poderia ter sido mantida na jurisdição municipal a que pertencia. Isso significando que, ao invés de tanto buscar proteger-se, agora, da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), esses municípios fariam muito bem a si próprios se solicitassem a ''desmunicipalização'' e o retorno ao que eram. Naturalmente que a ambição de ser município orgulha as respectivas populações, e não deve passar na mente de seus habitantes retornarem à condição de distritos e à dependência dos municípios a que estavam ligados.

Tomemos apenas um exemplo, que com certeza vale para todos os demais municípios que estão em idêntica situação: o então distrito de Tamarana pertencia a Londrina, até poucos anos atrás, mas por ambição de um único político local, que desejava ser prefeito, o pequeno lugar foi emancipado para município. O político acabou eleito, como queria, sentiu o amargo sabor de ser prefeito, e o lugar não melhorou pelo fato de ser município; ao contrário, estacionou ou piorou em sua qualidade de vida, eis que como distrito de Londrina usufruía de muitos benefícios. Era mais vantajoso para a comunidade ser distrito do município maior do que haver-se isolado e ter de valer-se de seus próprios meios.

Com tal desmembramento Londrina perdeu população, perdeu território e teve também alguma perda política, e de sua vez Tamarana perdeu muito mais. O dinheiro que arrecada com seus impostos mal paga o funcionalismo e, naturalmente, as mordomias, que sempre existem onde se implanta a burocracia pública, com perda na qualidade do atendimento à população.

A criação de tantos municípios no Paraná, sem nenhum critério mas atendendo apenas a conveniências politiqueiras do momento, só fez aumentar os quadros do funcionalismo e expandiu a já robusta corpulência da burocracia, atravancadora do desenvolvimento. Dinheiro bom, das regiões distritais convertidas em municípios, foi desviado para custear a máquina pública e naturalmente a corrupção que sempre vem a reboque e só alguns poucos ganharam.

A LRF não está revelando apenas que há funcionalismo em excesso, dinheiro mal aplicado e desperdício, mas que ser município não é algo tão relevante para a população, tanto que muitas prefeituras podem atender apenas durante meio período, não só em fim de ano mas em qualquer tempo, ou até fechar as portas por algum tempo, que pouco se altera na comunidade. Naturalmente que sairia muito mais barato, para o povo, as maiores sedes municipais reincorporarem essas pequenas comunas, que voltariam a ser distritos melhor atendidos e deixariam de ser municípios à beira da falência.

Deveria haver uma lei constitucional exigindo índices de qualidade para uma região manter-se como município, sob pena de rebaixamento. Quem sabe, depois da consolidação da Lei de Responsabilidade Fiscal que foi uma das melhores coisas que se criou e que resultará, sem dúvida, em mudança para melhor, nas administrações públicas algo nesse sentido se implante no Brasil!

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