EDITORIAL
Paraná não pode parar
O Paraná atravessa um momento de impasse na relação entre os Poderes e impera um descontentamento generalizado da população, pela sucessão de acontecimentos desagradáveis destes últimos tempos, que abalaram a vida política do Estado e causaram grande indignação da opinião pública.
Deputados da ala situacionista, aliadíssimos quando da armação que se fazia necessária para a venda da Copel, viram esse plano frustrar-se e como ele irem água abaixo as verbas que o governo havia prometido para as suas bases. Resulta que agora eles começam a cobrar, e já ensaiam algumas atitudes de represália e não estão votando alguns projetos de interesse do Palácio.
O novo ano está chegando e será o das eleições, e na busca de reeleger-se os deputados da ala governista precisam agradar os prefeitos de suas regiões, que só se agradam com verbas para obras.
O governador e o prefeito de Londrina envolvem-se em atrito resultado da rigidez do esquema de segurança, na visita do governador à cidade e não é da conveniência de nenhuma das partes esse desnecessário desgaste.
A greve dos servidores públicos, ontem suspensa por liminar, é ainda um foco de intranquilidade e incerteza. O aumento do pedágio chega na próxima semana e intensificará a ira dos usuários. O governador insiste na venda da Copel, agora em partes, mas o Fórum Popular contra a venda está se articulando para nova rodada de mobilizações. Na Capital, o governador tem que digerir os maus momentos do prefeito aliado e agora também envolto em denúncias de irregularidades. Há sinais de pouca paz pela frente.
O fim-de-ano, o início do próximo, o recesso da Assembléia e dos demais Poderes, os poucos meses úteis que restam de governo no conturbado ano eleitoral que será 2002, tudo isso vai exigir (usando-se expressão que andou em voga) muito jogo de cintura, sobretudo do chefe do governo. Governar é, também, a arte de administrar conflitos, e o momento exige essa competência dos Poderes e de todos os que exercem posições de mando.
O Paraná não pode parar, e se o Estado-cidadão subsiste, apesar dos desacertos governamentais, é certo que também se abala quando os Poderes não se entendem entre si e, muito pior, quando cometem barbaridades difíceis de consertar, como o modelo de pedágio que foi imposto e que constitui um verdadeiro assalto aos usuários de veículos e um abalo para a economia do Estado; quando insiste em descapitalizar o Estado, vendendo patrimônio, e por aí afora.
Devem tomar consciência o governador, os deputados, os prefeitos, de que, se os desentendimentos políticos fazem parte do processo, devem apenas ser isso parte do processo e não comprometer o desenvolvimento. O Paraná não é os seus governantes, mas seus 9 milhões de cidadãos, que desejam a ajuda do governo ou, no mínimo, que a presença governamental não os atrapalhe no livre desempenho de suas atividades.
Há pela frente 13 meses de mandato do atual governo, que devem ser bem aproveitados, ou o povo começará a fazer contagem regressiva para ver chegar ao fim esse preocupante estado de intranquilidade que reina no Paraná.





