Editorial
Bons ventos na economia
Análise de 1.850 balanços de companhias de todo o País feita pela Serasa (Centralização de Serviços dos Bancos) revela que indústria, comércio e o setor de serviços mantiveram os lucros em 1996. A indústria teve queda de 12% no faturamento, mas seus lucros foram de 2% sobre as vendas. Os preços mais baixos praticados pela indústria reduziram a receita, mas aumentaram as vendas. A margem é inferior à de 1995, de 4%, mas superior à de 1993, antes do Plano Real, quando o lucro do setor foi de apenas 0,4%. No comércio, as vendas cresceram 4%. O lucro sobre as vendas atingiu 2%. O setor de serviços teve uma evolução de 8% no faturamento. Suas margens de lucro ficaram em 3% sobre as vendas. Tanto no comércio como nos serviços as margens em 1996 foram idênticas às praticadas em 1995.
Os números são expressivos e deixam bem evidente o efeito positivo que tem sobre toda a economia uma situação de estabilidade. Os preços sobem pouco ou nada e as vendas apresentam resultado melhor. É o cenário dos países desenvolvidos, em que se busca taxa menor de lucro no varejo para se vender mais. Em proporções o lucro é menor, mas é quantitativamente maior. Isto também poderia ter acontecido na época da inflação galopante, mas outros fatores - como a ciranda financeira - pareceram mais atraentes. Então, em vez de se procurar vender mais para ganhar com o aumento da produção, o sistema produtivo cumpriu a lei do menor esforço. Aplicou o capital nos juros do mercado financeiro e largou a produção para segundo plano.
A estabilização da economia veio um pouco depois de outra importante mudança nos conceitos empresariais. Já nos últimos anos da inflação caótica percebia-se uma alteração muito importante no comportamento de muitos empresários. Os mais lúcidos passaram a pregar uma nova mensagem: se a população ganhar mais, o consumo será maior e todos vão ganhar com isso. Parece óbvio - e é -, mas demorou muito para o Brasil reconhecer isso e acabar com o principal fator de desvalorização dos salários.
Com a política de estabilização implantada pelo Governo - uma nova e diferente forma de enfrentar a inflação -, iniciou-se uma fase mais concreta de desenvolvimento econômico. Uma parcela dos que estavam à margem da sociedade foi introduzida no mercado pelo trabalho e pelo consumo. Ainda é grande o desemprego, mas também é grande o contingente de marginalizados que se beneficiaram da nova situação. O crescimento que vai acontecendo é gradual e tem que se dar de modo equilibrado. Escassez de oferta ou explosão de demanda provocam inflação. Os resultados do comércio, da indústria e do setor de serviços evidenciam o equilíbrio e reforçam a necessidade de se superar obstáculos para assegurar a continuidade do processo.
Para completar um quadro bastante positivo, a Serasa também divulgou os indicadores nacionais de inadimplência do período janeiro-novembro. Houve queda de 16,4% nos títulos protestados, de 62% nas concordatas requeridas e de 10,2% nas falências decretadas. A base de comparação é o mesmo período de 95. A conclusão é uma só: o crescimento do período teve plena sustentação e vale a pena continuá-lo. São resultados que alimentam a convicção de que, ao menos no setor produtivo, a economia brasileira está no bom caminho.





