Respostas que faltam


Não basta o governo do Estado publicar nota oficial e dizer que foi um negócio altamente vantajoso para a Copel a criação de parcerias, e que elas ''economizaram vultosas somas aos cofres públicos na realização de importantes projetos de relevante interesse nacional''. Será necessário dizer quais foram as vantagens, quais as economias proporcionadas e quais os projetos de tanta relevância. Se todas as respostas forem dadas e forem convincentes, a opinião pública se curvará diante delas e se dará por satisfeita. Mas faltam essas respostas.
Não basta declarar que as parcerias foram vantajosas para a Copel, mas será necessário demonstrar isso. A nota oficial é vaga e sem consistência, parecendo mesmo que o governo não tem mais nada a dizer além do que disse. Não se questiona se houve observância às leis nacionais e estaduais para criar essas parcerias fato destacado na nota mas questiona-se a necessidade de criá-las se a Copel tinha um corpo técnico de alto gabarito, portanto apto a desempenhar as funções outorgadas a essas empresas ''parceiras''.
Se o governo afirma que ''a nova modalidade de associação trouxe para a Copel investimentos privados da ordem de 400 milhões de dólares norte-americanos'', o que tem a fazer, para satisfazer a quem pergunta, é mostrar onde estão esses investimentos. O governo só precisará explicar. Porque, se existem as correntes dos oportunistas políticos, às quais tanto se refere a comunidade palaciana, há 9 milhões de paranaenses sem interesse político-partidário e que desejam apenas a simplicidade da verdade.
O governo, em sua nota, diz que ''é falso e leviano afirmar que a existência de tais parcerias desvaloriza a Copel''. Ocorre que, em função dessas parcerias, os potenciais compradores da Copel se afastaram, e a desvalorização ficou aí caracterizada, tanto que os arrematadores afastaram-se e não se habilitaram aos leilões. A perda de interesse na compra da Copel se deveu à existência dessas parcerias, que absorveram a exploração de serviços altamente lucrativos, até então administrados com exclusividade pela empresa-mãe. Tanto não foi, pois, um negócio ''extremamente vantajoso'' o advento dessas parcerias, que os compradores inicialmente interessados no leilão foram se afastando, um a um. O que a opinião pública assistiu, isto sim, foi a Copel ir se descapitalizando.
Não se sabe em que a Tradener, criada para comercializar energia que a Copel já comercializava com eficiência, tenha aportado recursos e agregado algum valor outro argumento da nota oficial se a empresa foi implantada com o capital de apenas R$ 10 mil.
Portanto, quem está tratando com leviandade tão importante questão de Estado é o governo, porque a nota oficial é inconsistente e, pelo seu conteúdo, manifesta até descaso para com os cidadãos paranaenses, pelo nada dizer e imaginar que apenas vagas palavras bastem. O povo quer ouvir a voz do governador acerca de tantas coisas não explicadas em torno dessas parcerias, criadas no oportunismo do período da pré-privatização. Se tudo é limpo, transparente e tão vantajoso para a Copel, nada há a esconder.

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