Estranhos negócios da Copel


A desistência de interessados na compra da Copel, número que veio diminuindo e, ao final, resultou em apenas um que também acabou se afastando pode não ter sido apenas em função de fatos novos que ocorreram no mundo, como os atentados de 11 de setembro nos Estados Unidos, ou a já delicada e imperante situação econômica mundial, ou ainda a crise energética do Brasil e outros países. A desistência teria ocorrido em razão da realidade que os potenciais compradores encontraram na sala de dados da empresa, o que os teria feito recuar.
E qual é essa realidade? Nos últimos três anos a Copel veio firmando parcerias e entregando a exploração de serviços altamente lucrativos a subsidiárias que foram criadas no período pré-privatização. Esses serviços eram antes operados por ela própria. As principais dessas empresas são a Tradener, cuja área de atuação passou a ser a comercialização de energia no mercado atacadista, um dos negócios mais rentáveis do novo modelo energético do País; a Escoeletric, para atuar na área de montagem de máquinas e usinas; e a Copel Agra, com o perfil de fazer captação de contratos no exterior, mas que teria outra função: os serviços de engenharia designados para a Copel, mediante taxa de intermediação.
Essas empresas têm, entre seus comandantes, ex-funcionários de alto escalão da Copel, todos ligados ao atual presidente da estatal, Ingo Hubert, e executam funções que não precisariam ser terceirizadas. Mas não são apenas aquelas três empresas. Existe outra meia dúzia delas. Processo recente contra a Tradener já corre na Justiça.
E por que a existência dessas empresas paralelas teria afastado os potenciais compradores da Copel? Porque, para desfazer o vínculo com elas o comprador da Copel teria, por força contratual, que lhes pagar gordíssimas indenizações. Esta seria uma das fortes razões não reveladas para o grande interesse em passar adiante a empresa-mãe, ou seja, vendê-la.
A Tradener foi criada pela diretoria da Copel há três anos, para fazer o que a estatal já cumpria sozinha, desde cinco décadas, que era comercializar a energia. A nova empresa passou a receber comissão de 2% na intermediação da venda de energia para fora do Paraná, mediante contrato feito sem licitação e que tem validade exclusiva de 10 anos, significando um montante total de comissões estimado em R$ 125 milhões.
O que se tem é que o eventual comprador da Companhia Paranaense de Energia teria de conviver com essas subsidiárias, permitindo-lhes fatias generosas na comercialização de energia no mercado atacadista, na montagem de maquinaria e usinas, em serviços de engenharia (que cobram comissão sobre o valor dos serviços, a título de administração), ou assumi-las mediante pesadas indenizações e naturalmente muitos seriam beneficiados com elas.
Todos esses são pontos obscuros que envolvem o ''imbróglio'' do tão ansiado propósito de vender a Copel. A partir do episódio da Tradener (objeto, agora, de ação judicial), revelações novas estão vindo à tona e haverão, ainda, de dar muito o que falar.

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