EDITORIAL
Apenas solução temporária
Enquanto não se combate as causas se irá combatendo efeitos. Resultados imediatos poderão ocorrer com essa prática, mas o problema que se visa eliminar persistirá, e é utopia imaginar que seja diferente. Londrina deflagra agora nova campanha de segurança pública, e esta não é a primeira e com toda certeza não será a última. Isto significando que, de campanha em campanha desse gênero, se irá convivendo com a marginalidade.
Bom que alguma coisa seja feita, e o movimento ''Londrina Segura'', lançado quarta-feira com a presença do secretário de Segurança Pública, José Tavares, produzirá certamente algum resultado e aplacará os roubos e assaltos enquanto a campanha durar. A situação da segurança, em Londrina como em todas as cidades do Paraná e por extensão do Brasil, é de intranquilidade, mas a razão principal é o desemprego, e com ele crescem os índices de criminalidade, notadamente os atentados contra o patrimônio.
A ação da presente campanha consistirá, principalmente, de uma ofensiva de blitze policiais, em toda a cidade, para detectar assaltantes. O que significará que a denominada parte sã da sociedade terá de sair de casa bem documentada, porque será ela a mais molestada, eis que os marginais estão sempre com documentação pessoal em ordem e não saem de casa sem ela. Ademais, a polícia de cada cidade conhece a maioria dos ladrões e assaltantes da respectiva área, até pela prática frequente de prendê-los e vê-los escapar da prisão, ou serem soltos por medida legal ou por algum favorecimento.
Os promotores da campanha ''Londrina Segura'' pedem que a população compreenda e colabore. Naturalmente que a população compreenderá e colaborará, mas a polícia sabe duas coisas: onde estão os marginais e onde eles não estão. Portanto, será uma perda de tempo ficar abordando todos os cidadãos e pedindo-lhes documentos.
O melhor caminho seria uma campanha para as empresas não despedirem trabalhadores e, ao contrário, buscarem contratar mais, embora se saiba que a situação econômica não é confortável para elas e para ninguém. Mas será melhor uma cota de sacrifício do que enfrentar assaltantes à mão armada. Essa cota que se pede é alta, mas sem uma cruzada de conscientização, envolvendo governo e sociedade, estaremos sempre convivendo com a violência e com campanhas paliativas para contê-la.
Não é a falta de polícia que gera a delinquência, e sim, obviamente, os problemas sociais. As empresas que promovem agora a nova campanha não hesitam em despedir um trabalhador, ante o mínimo sinal de recessão, imaginária que seja, e sabem que um homem desempregado é um homem em desespero. Muitos roubos e assaltos à mão armada, em Londrina, têm sido praticados por menores, mas não será necessário dizer de que famílias eles emergem. Onde há pais desempregados há lares desestruturados e filhos com tendência de se apropriar do patrimônio alheio.
Os problemas sociais, e por extensão os de segurança, se resolvem pela via do emprego, e esse a blitze policial não proporcionará. Campanha como a que agora se deflagra pode produzir resultados temporários, mas as entidades de classes mais representativas deveriam assumir campanhas mais elevadas, na busca da solução dos problemas sociais, se é que pretendem mesmo solucioná-los e engajar a sociedade num movimento desses.





