Um passo para a paz

A tomada de Cabul, capital do Afeganistão, pela oposição afegã, e a fuga dos talebans, é o primeiro passo para que a paz chegue àquela região do mundo. Porque a tomada do poder pelas milícias talebans, cinco anos atrás, criou uma situação de hostilidade entre as Forças da Aliança do Norte (do presidente deposto em 1996, Burhanuddin Rabani, e que agora assumem o comando da capital) e os islamitas radicais, que desde então implantaram um regime de terror no país. As mulheres foram proibidas de trabalhar e de frequentar escolas, assim como proibiu-se a televisão, o rádio e a música.
Todas essas atividades foram agora liberadas na capital e algumas outras regiões, e ontem ouvia-se música na rádio, e era de uma mulher a voz que falava, com o rosto descoberto. Naturalmente que Cabul está liberta dos radicais mas não dos ataques norte-americanos, ainda na caça de Osama bin Laden (protegido do regime taleban) e do mulá Omar, líder supremo da milícia islâmica radical, ambos em paradeiro desconhecido mas ''sãos e salvos'', segundo um porta-voz anônimo. E para onde imaginar-se estar Bin Laden, lá irá a guerra.
A entrada das forças da aliança antitaleban em Cabul foi comemorada com festa pela população, há tantos anos convivendo com bombardeios e destruição e, na esteira de tudo isso, fome e miséria. Agora, independente da caça ao líder Bin Laden o que é uma ofensiva particular dos Estados Unidos e seus aliados e não sensibiliza o povo afegão e nem a maioria de seus vizinhos paquistaneses o Afeganistão prepara-se internamente para uma reorganização institucional e para a formação de um novo governo, que será ''amplamente representativo'', como anunciam os dirigentes da Aliança do Norte.
Representantes da diplomacia internacional afirmam que ''há vontade sem precedentes das Nações Unidas, do Grupo dos 8 mais ricos, da OTAN e dos Estados Unidos de reimplantar um novo governo no Afeganistão. E um porta-voz do presidente afegão derrubado pelo taleban declarou que a Aliança não tem planos de governar sozinha. ''Continuamos comprometidos com o Conselho de União Nacional, criado pelo ex-rei Mohammed Zahir Sha'', disse.
O secretário de Estado norte-americano Colin Powell disse que a hora é de enviar uma força de países muçulmanos e dos EUA a Cabul, para garantir a segurança da cidade e assim garantir a implantação de um governo provisório, mas é no ex-rei que o oposição armada deposita confiança, e o quer à frente da elaboração do processo de paz no Afeganistão. E, se as oposições são inimigas comuns dos talebans junto com os Estados Unidos e seus aliados, não significa condescendência com tudo o que querem esses países, justamente os que, por conta da caça a Bin Laden, estão destruindo suas cidades e matando seus patrícios.

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