EDITORIAL
Mais aumento do pedágio
Quando um primeiro erro é cometido sucedem-se as consequências, e o que temos para 1º de dezembro é a alta do pedágio que será entre 9% e 12% porque isso está previsto no contrato assinado pelo governo do Paraná e as empresas concessionárias. No ano que vem, sempre em dezembro, haverá novo aumento, e assim sucessivamente, até 2020, a menos que futuros governantes resolvam enfrentar com coragem o problema criado o advento do pedágio e rescindam os contratos; ou modifiquem os termos dos mesmos que tanto vêm onerando os usuários de veículos e por extensão toda a população paranaense, sem a correspondente cota de benefícios.
Três anos e alguns meses são decorridos desde que os paranaenses foram surpreendidos com barreiras nas estradas, impedindo a passagem de veículos, e a imposição de pesadas tarifas para o direito de trafegar, isso em rodovias já prontas e que haviam sido pagas pelo povo. A partir de então pouco se viu de melhorias, a não ser as sempre mencionadas maquiagens, algumas passarelas e pequenos trechos de contornos que, na soma geral, são insignificantes em comparação com a bilionária arrecadação.
Há no Paraná 2 milhões e 300 mil veículos automotores cadastrados (número de agosto deste ano) e todos eles trafegam por estradas pedagiadas. Imagine-se o volume da receita! A existência de tão expressiva frota significa também a correspondente arrecadação em IPVA e demais ônus fiscais que incidem sobre o veículo, deixando no ar a pergunta sobre aonde vai a parte que cabe aos cofres estaduais de tão volumosa verba.
Com o ''affaire'' da privatização da Copel as atenções do povo desviaram-se um pouco do drama do pedágio, mas é certo que a questão não foi esquecida pela população e deverá reacender-se com muito vigor na campanha eleitoral do próximo ano e constar da pauta de resoluções do futuro governo. As oposições têm se manifestado contrárias a esse modelo de pedágio e é certo que não deixarão passar em branco o delicado problema, ademais porque a opinião pública cobrará.
A existência do pedágio, da forma que foi implantado, não é uma causa pacífica, antes um enclave que assumiu característica de afronta e de desafio aos cidadãos paranaenses. O aumento que se anuncia irá acirrar ainda mais a indignação popular, até o ponto de se tornar insustentável. Até agora não se viu nenhuma obra de expressão ao longo das rodovias pedagiadas, a não ser adereços, que bem poderiam ser executados e com sobra de dinheiro com a arrecadação do IPVA.
As rodovias pedagiadas do Paraná nunca foram melhores nem piores do que estão, portanto o advento do pedágio não está influindo muito na qualidade delas. Mas está, sim, sobrecarregando o bolso do povo e influindo no encarecimento do custo de vida, porque as mercadorias transportadas pelas rodovias também são oneradas pelo pedágio.





