Agora cuidar do Paraná

Com a ausência de interessados na compra da Copel, pelo menos por alguns meses esta questão deixará de ser assunto dominante e o governo terá tempo para pensar em outros problemas que afetam os cidadãos o principal deles, no momento, a greve dos servidores públicos. E se a venda daquele patrimônio estadual deixa, ao menos por enquanto, de proporcionar os recursos que o governo esperava obter, a hora é de refazer estudos e, com as verbas que existem, dar prioridade ao que for mais importante.
É em situação de dificuldade que se revelam os bons governantes, porque é fácil administrar com abundância de dinheiro, especialmente esse grosso volume que entraria imediatamente com a venda da estatal de eletricidade. Mais difícil é governar na escassez.
Este é um momento em que o governo estadual não deve prostrar-se e ficar em atitude contemplativa, como se tudo estivesse perdido, mas de reformular planos, porque a máquina estatal não pode parar se o Estado-cidadão anda. Pelo seu comunicado público de ontem o governo demostra que não desistiu do projeto de privatização da Copel e o considera apenas ''temporariamente adiado'', mas a comunidade palaciana não deve, nesta hora, encarar o desfecho de terça-feira como uma derrota.
A verdade é que, a partir do momento que se encerrou o prazo para a presença de interessados na compra da empresa, e ninguém se manifestou, implantou-se um clima de paz no Paraná. Os cidadãos paranaenses, que eram totalmente contrários à venda, sentem-se aliviados com essa trégua, e o governador Jaime Lerner fica livre por algum tempo dos dardos da oposição e da opinião pública. Pode agora o chefe do governo, com mais tranquilidade, percorrer o Estado e discutir com as lideranças o que é possível fazer nos 14 meses de mandato que restam.
Se a venda esperada não ocorreu por falta de compradores, tal situação não deverá se alterar nos próximos meses e no decorrer do ano que vem, porque o recuo dos investidores inicialmente interessados se deveu a fatores diversos, de ordem nacional e internacional, e que, pelos indicativos, persistirão.
É tempo, também, de os deputados estaduais governistas que foram intransigentes e mantiveram apoio inarredável ao governo desde o momento em que se iniciaram os procedimentos para a venda da Copel manifestarem-lhe agora a mesma solidariedade buscando caminhos para tocar adiante o Paraná, com os recursos que existem. No momento presente há uma greve dos servidores públicos que se arrasta por mais de 50 dias. Esta é a primeira questão que precisa ser revolvida, e com urgência.

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