As guerras americanas

Os norte-americanos não vivem só de guerras, mas sobretudo da garantia de uma economia sólida. É justamente em função disso que também fazem as guerras. As duas dinâmicas se auto-sustentam. O presidente George Bush lança bombas sobre o Afeganistão mas ao mesmo tempo irriga a economia interna de seu país com a esparrama de dinheiro. Diferente de países subdesenvolvidos, que em tempo de dificuldades mais arrocham nos impostos, mais aumentam os juros e mais dificultam o acesso ao crédito.
Logo depois dos atentados de 11 de setembro o presidente Bush solicitou e o Congresso aprovou a liberação de US$ 100 bilhões para aquecer a economia, e começa agora a devolver impostos a algumas grandes empresas, para que não percam o fôlego. Também protege os bancos com uma fatia de US$ 21 bilhões, para que não lhes falte fluxo de caixa, eis que essas instituições, nos EUA, têm outro perfil e outro conceito, pois não são especuladoras mas fortes agentes de desenvolvimento.
Preocupam-se o presidente Bush e os parlamentares com o recuo dos negócios internos e não desejam que os consumidores fiquem sem dinheiro para gastar. O governo também reduziu de 20% para 18% o imposto sobre ganhos de capital, porque ao beneficiar o capital beneficia o trabalho, que leva a ganhos e ao consumismo, e por extensão a mais giro da moeda e a mais desenvolvimento. Ao baixar impostos, segue a sábia teoria da Curva de Laffer, segundo a qual com menos percentual de impostos a economia cresce, e com a economia aquecida o volume da arrecadação tributária aumenta.
E as medidas não param aí, porque a taxa básica do juro já baixou 9 vezes neste ano, e hoje está em 2,5%. Ao ano. A guerra provocou certa recessão nos EUA, com aumento também do índice de desemprego, mas ela seria maior se o governo não houvesse adotado aquelas medidas de salvação nacional. E, se isso não bastasse, também os cidadãos de baixa renda foram lembrados e estão recebendo um cheque de US$ 300, como ''presente de Natal'', o que significará um revigoramento da circulação da moeda, segredo do desenvolvimento.
Em momento que exige a tomada de grandes decisões, os Poderes se unem e as soluções são rápidas, como foi a aprovação pelo Congresso dos US$ 100 bilhões solicitados pela Casa Branca. Não há demora nem barganhas. Prevalece um patriotismo que, nos EUA, chega a ser obsessão, mas que resulta numa nação forte e poderosa, independente das críticas que se lhe faça neste momento, em função do massacre sobre o Afeganistão.
Não à toa que, quando seu presidente fala, os norte-americanos o escutam e o levam a sério. Há um maior grau de confiança do povo nos governantes, porque também estes respeitam o povo. Essa dinâmica mais robustece o patriotismo e o conceito de cidadania. Verdade que eles também já assassinaram presidentes e o fizeram quatro vezes e levaram um a renunciar por questão de somenos importância. Mas nem por isso a estrutura das instituições se abalou; ao contrário, mais se fortaleceu.

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