EDITORIAL
Nas duas novas ações que acabam de dar entrada na Justiça Federal, contra a venda da Copel, um dos argumentos contrários à privatização é o preço. Essa questão foi levantada por ex-técnicos da Copel, logo depois que a Assembléia Legilativa aprovou a venda, e estipulou o valor da empresa em R$ 25 bilhões, considerando seus bens patrimoniais instalados - usinas principalmente - e sua participação acionária em vários empreendimentos. Uma das ações é do senador Alvaro Dias e questiona o valor mínimo de R$ 4,32 bilhões para o lance inicial no leilão, marcado para o próximo dia 31. Também Alvaro - que já foi governador do Estado - avalia que o preço da empresa é seis vezes superior ao anunciado.
A outra ação é de um ex-homem forte do governo de Jaime Lerner, o então secretário da Fazenda, Giovani Gionédis. Ele defende uma perícia para avaliar os bens que formam o patrimônio da empresa. A ação de Gionédis, que vinha sendo anunciada desde agosto, é mais abrangente e engloba todos os atos do governo relacionados com a privatização, desde a audiência pública que marcou o início do processo.
O ex-secretário - indiscutivelmente um conhecedor da questão e que sabe como poucos da situação financeira do governo e as suas razões para colocar a estatal à venda - aponta várias irregularidades na montagem dos procedimentos para a privatização. Uma delas, que a Copel é proprietária de mais bens patrimoniais do que os anunciados. Isso teria viciado a definição do preço mínimo, considerado muito baixo.
Outro ponto levantado é que, como a Copel tem participação no setor de telecomunicações (45% das ações da companhia telefônica de Londrina), a Agência Nacional de Telecomunicações teria de autorizar a venda, um pleito idêntico ao do Fórum Popular Contra a Venda da Copel. A ação também questiona que, na retificação do edital de venda, o governo acrescentou e alterou obrigações e mudou convênios existentes e destinações de recursos, após várias empresas terem desistido de participar do leilão.
O plano de privatização é cercado de prós e contras. Os prós são os desafogos do governo com a entrada de dinheiro; os contras, o Paraná perder a sua maior estatal, o preço baixo para um patrimônio de valor bem maior, segundo a avaliação de técnicos, e a apregoada inoportunidade da hora para a venda, se é que ela tenha que ocorrer. O governo não quer esperar, pois tem apenas mais 14 meses de mandato, e a venda da Copel, mesmo a valor mais baixo, resultará na entrada de grande soma de dinheiro novo.





