Editorial
Uma jovem de 18 anos foi atropelada e morta por um automóvel que disputava um racha com outro, numa avenida de grande movimento. Aconteceu em Londrina, mas poderia ter sido em qualquer outro lugar. Nesta em outras cidades, os crimes de trânsito cometidos por motoristas irresponsáveis são numerosos e a maioria passa praticamente impune. Pessoas inocentes, como a estudante Vanessa Maia, têm suas vidas sumariamente cortadas ou sofrem sequelas terríveis se conseguem escapar. E mesmo o exemplo das tragédias, as condenações em alguns casos e as campanhas de educação de trânsito não conseguem impedir que pessoas potencialmente criminosas usem a via pública para cometer suas sandices.
A polícia já identificou os responsáveis pelo crime de Londrina, o que significa que haverá um processo. Mas os rachas vão continuar e a punição, se houver, será tão branda á- como manda a lei - que estimulará outros irresponsáveis a repetir indefinidamente a brincadeira de sexta-feira à noite.
Está tramitando no Congresso Nacional um novo Código Nacional de Trânsito, com penalidades mais severas que o atual. Se não for deturpado, será um avanço considerável, pois admite como crime qualificado o que é hoje considerado crime comum imotivado. A violência não tem limite, diante de leis falhas e indulgentes ou mesmo diante da própria evolução da criminalidade. Pois quando o atual Código entrou em vigor, foi recebido com louvores porque, como agora, aumentava as penas, tornava mais pesadas as multas e inovava em vários aspectos. Só não serviu para reduzir o número de acidentes, diminuir a insegurança ou tornar menos irresponsáveis os que dirigem para matar.
O que fazer, então? Sem dúvida, é necessário uma legislação fortíssima, duríssima, à altura do mal cometido. Não só a cadeia por crime doloso, mas a condenação indenizatória mediante a perda da maior parte dos bens do criminoso. Isto já é assim há décadas em países mais evoluídos. Mas, não basta. É preciso um policiamento rigoroso e implacável, e para isso devemos ter polícias de trânsito muito bem preparadas, bem pagas, bem equipadas e incorruptíveis - sem o que as leis pouco resolvem.
Em paralelo a essas medidas, devemos ter programas de educação de trânsito como rotina em todas as escolas públicas e privadas do País e na comunicação social de todas as empresas ligadas ao mercado automobilístico. Não só as fábricas de cigarros, mas também as de autopeças e as montadoras devem ensinar ao seu público que um automóvel mal usado mata.
Hoje, o cinto de segurança só é usado em larga escala porque a multa é pesada para a maioria e porque houve uma boa campanha educativa. Mas andar na contramão, passar o sinal vermelho e correr muito acima do permitido são infrações corriqueiras no trânsito de todas as cidades porque a autoridade não assume integralmente seu papel de vigiar e zelar pela segurança da sociedade. Não há nem recursos materiais nem humanos para tanto. Mas, principalmente, não há imaginação e criatividade para superar essas deficiências.
Os abusos se sucedem, e pouco se faz. Ruas e avenidas de grande movimento devem ter, obrigatoriamente, obstáculos que impeçam um veículo de correr acima da velocidade de segurança. E isso inclui até o famigerado quebra-molas - bem sinalizado, obviamente -, pois em países atrasados como o nosso não se pode esperar que os tótens eletrônicos sejam respeitados à risca.
Junto com o novo Código Nacional de Trânsito tem de haver uma mudança de mentalidade e um esforço imenso para mudar esta lamentável situação.





