Que a guerra bacteriológica é um ato terrorista não se discute, mas não se pode associar, como fato consumado, os autores dos atentados de Nova York e Washington aos que agora disseminam os esporos do antraz. É que relatório do Serviço de Inteligência dos Estados Unidos aponta países como Irã, Iraque, Coréia do Norte, Síria e Líbia como responsáveis por esta nova ofensiva terrorista e o grupo de Osama bin Laden como suspeito número 1.
O que ocorre é que as correspondências com o pó que abriga as bactérias têm partido do território norte-americano, e para produzir essa forma pulverizada é necessário muita tecnologia. Sabe-se que os esporos do antraz que foram enviados ao líder democrata do Senado americano, Tom Dashle, eram muito bem elaborados, segundo os especialistas.
O que tranquiliza é que este é um bioterrorismo ameno, se imaginarmos coisas piores. Não se crê que sua difusão possa provocar uma pandemia nem que tal ocorra com eficiência através de bombas. Os soviéticos já dominavam essa tecnologia e sabe-se que seu objetivo era apenas provocar pânico, sobrecarregar os serviços médicos e hospitalares e causar prejuízos econômicos. Tal está se dando também agora.
Não há indicativos de que o antraz possa contaminar ao mesmo tempo milhares de pessoas. Não é, portanto, considerado ainda como ''arma de guerra'', a menos que fosse lançado através de um míssil e encontrasse ar seco e sem vento. A própria medicina não tem certeza sobre a taxa de mortalidade que um ataque intenso provocaria.
A União Soviética, nos anos 70, chegou a produzir uma cepa do antraz geneticamente modificada e infensa à ação de antibióticos, mas o tipo que agora está sendo disseminado mostra-se sensível e não parece ser aquele mais potente. Uma coisa é produzir em laboratório essas cepas, outra é dispersá-las com precisão a ponto de não tornar inativo um grande número de esporos.
O que se sabe é que terroristas domésticos, que podem ser inclusive tresloucados norte-americanos, conseguem elaborar com facilidade essas culturas bacteriológicas e disseminá-las, como está ocorrendo. O envio através de correspondência é um dos sistemas. O mundo já está alertado, e cuidados estão sendo tomados. Muitas pessoas já não estão abrindo envelopes estranhos.
É certo que um princípio de pânico já se instalou, mas é este mesmo o objetivo de quem está por trás dessa ofensiva. Alguns, mais ingênuos - mas nem por isso menos culpados - estão se aproveitando do momento para fazer brincadeiras, como aconteceu até aqui entre nós.
Está explícito o objetivo de provocar disseminação de intranquilidade, porque muitas correspondências têm sido enviadas justamente para pessoas ligadas a veículos de comunicação, mais passíveis de espalhar a notícia, o que acaba se tornando tão nocivo quanto o antraz e produz os resultados que os terroristas desejam. De qualquer forma, isto não invalida que se abandone a cautela e se despreze medidas preventivas, porque a bactéria é capaz, sim, de causar danos à saúde e levar à morte, como já aconteceu.

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