EDITORIAL
Não é erro de imprensa: os deputados estaduais situacionistas, no Paraná, querem que o governador Jaime Lerner puna a população dos municípios cujos prefeitos são da oposição. A decisão de fazer essa solicitação ao chefe do Governo já foi aprovada por eles. E o que querem esses deputados? Que o Palácio Iguaçu não repasse a tais municípios os recursos de fundos perdidos, mas apenas os constitucionais. Esses fundos correspondem a verbas públicas de transferência gratuita, sem retorno.
Os deputados da linha governista simplesmente declaram não querer que os prefeitos que pertençam a fações não engajadas com o governo estadual recebam essas verbas. Seria inacreditável, se não estivesse publicado nos jornais de ontem. Nem nos tempos da ditadura militar ocorria isso. Se o pedido fosse acatado pelo governador - que já se declarou contrário à absurda pretensão - não serão os prefeitos os punidos, mas a população.
Qualquer semelhança com métodos adotados pela nação cacique do planeta contra os países que lhe fazem oposição, não será coincidência, mas imitação de um perverso modelo, que produz tenebrosos efeitos. Faz lembrar, ademais, certos sistemas feudalistas ainda vigorantes em certas regiões do Brasil, de que se imaginava o Paraná estivesse livre.
O deputado Durval Amaral, líder do governo, vai direto: ''Cada prefeito faz a sua opção'', significando dizer que quem é a favor leva o bônus e quem é contra fica com o ônus. De sua vez, o presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão, afirma que ''isto faz parte do jogo''. Naturalmente, um jogo sujo. Waldyr Pugliese, da oposição, declara que dinheiro do governo só tem um carimbo: o de dinheiro público.
Nestes tempos de bombardeios a pobres e inocentes, no Afeganistão, os deputados governistas de uma região civilizada do Brasil-Sul agem de forma idêntica: querem punir os que nada fizeram. E em circunstância alguma há ou poderia haver culpados, porque o prefeito tem o direito de assumir posturas de oposição, quando necessário, sabendo-se que elas nunca são permanentes nem sistemáticas. Esses parlamentares, portanto, nada diferem dos terroristas que cometem atentados contra alvos civis e dos que nestas horas lançam bombas sobre aldeias de um pobre e subdesenvolvido país asiático.
O líder Amaral adiciona mais um disparo: ''Os recursos que serão obtidos com a venda da Copel são públicos, mas não precisam ser distribuídos de forma igualitária entre os municípios'', querendo dizer que os que têm prefeitos da oposição devem ser discriminados. Não é, como dissemos no início, um erro de imprensa. Está na edição de ontem deste jornal. Tal foi dito, e publicamente.





