Parece que os 27 deputados que votaram a favor da venda da Copel têm mesmo vocação para ditadores. Porque, além de votar contra a vontade da maioria da população na célebre sessão de 20 de agosto, querem agora impedir que um partido da oposição mostre as fotos deles, na televisão, como autores da decisão tomada. O anúncio é um institucional do PDT - uma das correntes vencidas na votação - e menciona aquela relação de parlamentares, dizendo que eles contrariaram a vontade popular ao não haverem levado em conta as pesquisas de opinião pública mostrando que os paranaenses eram (e ainda são) contrários à privatização da companhia de eletricidade.
A livre manifestação de pensamento é direito assegurado na Constituição, mas antes disso um princípio consagrado da democracia. Se os deputados - que são os representantes dos cidadãos na Assembléia Legislativa e com eles têm um dever de lealdade - votam contra o desejo da população, então não podem agora lamentar-se do que ocorre. Ainda mais no caso da Copel, em que a manifestação popular contra a venda foi aberta e unânime. A posição de confronto ao anseio da sociedade foi flagrante.
Estranha que os parlamentares que intransigiram no seu voto, mesmo enfrentando os clamores populares, não tenham se preocupado com a opinião pública na ocasião, e agora dão tanta importância a ela. Deve ser porque buscam a reeleição, e desta vez a vontade do povo vale... Certamente os deputados imaginavam passar imunes pelo episódio. Se o PDT, nesta campanha, exerce também uma postura de interesse partidário, isso importa pouco, porque se o partido não o fizer os veículos de comunicação acabarão mostrando, na próximo eleição, quem não respeitou a vontade do povo. No mínimo, as 400 entidades que perfilaram ao lado do povo o farão.
Alguns deputados argumentam que o partido está fazendo uso indevido de sua imagem. Mas eles também usam nossos ouvidos e nossa boa-fé quando entram pela televisão e invadem nossos lares, sem se preocupar, aí, em mostrar-se. Teriam eles duas imagens? Uma, a que não desejam ver mostrada pelo partido adversário; outra, aquela que assumem, de honrados defensores da população. Se a democracia permite a difusão dessa imagem de bons moços, deve permitir também que vejamos a outra, mais verdadeira porque revela fatos concretos. Tarde demais para lamentações. Castigos maiores poderão vir, o mais provável deles é o povo não reelegê-los.

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