Uma corrente de ódio se espalha pela atmosfera, e o foco central é a nação mais poderosa do mundo, vítima de recente atentado que destruiu grande quantidade de vidas e instalações físicas de inestimável valor, e que, na contrapartida, faz neste momento bombardeios contra alvos fixos e também matando pessoas, num pequeno e pobre país asiático, sede de comandos terroristas. Ademais, o mundo assiste, perplexo, ao que não imaginava acontecer, que é a guerra bacteriológica, e ela parece evidente, pelos casos que estão acontecendo nos Estados Unidos.
Os atentados de Nova York e Washington, que no início se acreditava iriam gerar uma comoção mundial em favor do povo norte-americano, resultaram em mais manifestações de ódio contra os EUA, revelados no mundo inteiro através de pronunciamentos, artigos em jornais e revistas, cartas de leitores e infovias. Sentimentos aprisionados dentro das pessoas vieram à tona, e nunca a grande potência ao norte da América foi tão bombardeada. Manifestou-se uma incontida recorrência à anterioridade, como a demonstrar que os Estados Unidos colhem agora as consequências de suas próprias práticas.
É muito mau isto que acontece, e a vigorosa nação armada não se detém, porque há um apelo de revide que emana de 90% dos norte-americanos, fato comprovado por três pesquisas de opinião que se realizaram depois dos atentados de 11 de setembro. Geradora de ações que resultaram em muitos ódios, a nação americana é igualmente vítima do mesmo ódio, e torna-se difícil saber-se onde tudo começou, se no ovo ou na serpente. As pessoas apontam mais frequentemente para os Estados Unidos, império do planeta - e todos os impérios foram temidos e odiados, porque, se floresceram pela circunstância de poderem atrair e concentrar as inteligências do mundo, e assim mais poderosos se tornaram, também cresceram no rastro do domínio armado e da usurpação das guerras de conquista, que massacraram e escravizaram.
É um momento triste da história, mas a mesma humanidade que gerou este estado de conflito tem nas mãos a fórmula da paz. Se esta guerra e os seus reflexos afetam a todos, há que entrar nela. Agora que todos já manifestaram as suas opiniões e revelaram suas posições, é preciso serenar os ânimos e atentar que não há apenas duas facções em combate - supostamente a ideologia político-econômica dos Estados Unidos e seus aliados mais ortodoxos, de um lado, e o fanatismo terrorista, de outro - e sim uma luta interior do homem contra o próprio homem, em todos os quadrantes da Terra, cada qual defendendo com unhas e dentes os seus interesses individuais, sem atentar para a qualidade dos métodos e as suas consequências.
A guerra declarada que agora se trava vem na cauda de uma guerra silenciosa, mas constante, que está nas mentes e se revela no comportamento do homem que chega ao terceiro milênio. Toda a guerra sempre começa dentro de cada ser, individualmente, e vai ganhando amplitude até explodir, quando atinge o ponto de combustão no corpo das massas. Em sã consciência, os cidadãos do mundo não desejam a guerra, mas são, inconscientemente, os seus agentes. A paz, portanto, só virá pelo desarmamento dentro de cada indivíduo. Ele, que faz a guerra, também é capaz de construir a paz.

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