Uma notícia no canto do jornal, quase despercebida, encerra, no entanto, um exemplo que poderia ser seguido pelos governantes e todos os que exercem função pública. Trata-se da informação, publicada ontem na Folha, de que um vereador em Colorado - município do Norte do Paraná - está propondo a redução dos salários dos membros da Câmara.
O vereador - Mário Bueno de Freitas, sem partido - quer baixar os ganhos de R$ 1.510 para R$ 1.010. A proposta tem ainda maior relevância porque a intenção é poupar de demissão 51 servidores municipais, que recebem R$ 300.
O repasse da parcela do jeton dos vereadores não cobre o total de vencimentos desses funcionários, mas amenizaria em R$ 5,5 mil a folha de pagamento, e contribuiria para evitar demissões. Crê, porém, o autor do requerimento que se sua proposição for aprovada, também os secretários da prefeitura concordariam em reduzir parte de seus ganhos, para a mesma causa.
Pelo volume dos valores, o fato é, aparentemente, de pouco significado, no entanto é substancial em face da circunstância e tem a ver com a subsistência de 51 pessoas, mais os dependentes, e retira apenas um pouco dos vereadores, estes sempre mais pródigos em seus rendimentos.
Se todos os problemas das administrações públicas não se resolvem através da simples contribuição de vereadores - ou de deputados e senadores e outras funções remuneradas - o exemplo do vereador de Colorado demonstra, além de um gesto de solidariedade aos servidores, que existem caminhos de solução, quando há propósito.
Em cada esfera do Poder, providências idênticas poderiam ser tomadas, cada quando segundo as suas características. Racionalizar a máquina pública e torná-la menos onerosa é apenas uma questão de bom senso, o que infelizmente escasseia nas mentes da comunidade governamental.
Se nem todos os casos podem ser resolvidos de forma simplista, e se há que promover demissões nas administrações públicas, em geral - especialmente de apaniguados políticos e de uma numerosa legião de parasitas, que nem comparecem ao local do emprego - a redução de gastos e do desperdício dependem muito de boa vontade e de uma tomada de consciência por parte dos que ocupam função pública e lidam com bens e dinheiro do povo.
Nem deveria ser necessária uma Lei de Responsabilidade Fiscal para impor limites e disciplinar gastos públicos, porque tal prática deveria ser natural e espontânea. Idéia como a do vereador de Colorado revela um lado consciente da atividade política, que deveria constituir regra mas, lamentavelmente, é ainda exceção.

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