EDITORIAL
Entre as notícias de iminência de recessão, em face da atual situação de guerra, lê-se que a China confirmou seu propósito de ingressar na Organização Mundial do Comércio (OMC), já no ano que vem, o que significa que derrubará alguns obstáculos para o acesso em seus mercados.
Para o Brasil a notícia não poderia ser melhor, porque, pelo acordo acertado com a OMC, a China abrirá já de início suas portas para suco de laranja, óleo de soja e açúcar, podendo entrar na lista também carnes de frango e de suínos.
Vender para a China é anseio de todos os países exportadores, porque estão lá 1 bilhão e 300 milhões de consumidores. O país é hoje uma das maiores economias do mundo e seus mercados estão em expansão. As exportações brasileiras para lá já vinham crescendo, tendo atingido US$ 1,669 bilhão no período de 1991 a 2001.
Com a flexibilização de mercados, agora anunciada pela China, as possibilidades do Brasil são infindáveis. As importações chinesas, dos mercados do mundo, vieram crescendo 15% ao ano, depois de sua revolução industrial, e a massa de trabalhadores - embora os salários baixos - é sólida e bastante consumista.
Ao ingressar na OMC a China também se beneficiará da retirada de algumas barreiras a produtos que hoje exporta, para 142 países. Isto significará vender mais, com mais disponibilidade em sua balança comercial para importar. É alimento o que a China mais importa, desembolsando hoje, nesse setor, US$ 15 bilhões por ano. Número que se ampliará com a abertura que se anuncia.
Também no universo dos negócios costuma ocorrer o providencial fenômeno de, ao se fechar uma porta, outra se abrir. Esse portal para a China dá acesso a um exército consumidor que corresponde a 8 vezes a população brasileira.
Os produtos anunciados, que interessam à China, são processados pela tecnologia brasileira com elevado grau de qualidade e em condições, portanto, de conquistar os consumidores chineses. Os empresários brasileiros estão aptos a cumprir a sua parte, quanto à excelência dos produtos, restando ao governo flexibilizar sua política de exportação e eliminar os entraves, que são muitos ainda e precisam ser removidos.
Os caminhos da redenção econômica do Brasil passam pelo campo da extratividade agrícola, em todas as suas formas, que podem ser produtos in natura ou industrializados, e é por essa via que se dará o salto de desenvolvimento.
Se há nações que, pelo seu poder, conseguem irradiar negativismo e recessão, mesmo que temporários, há outras que, pela simples dinâmica do consumo, podem reativar a economia e restabelecer esperanças. A boa notícia agora vem da China, e ela é boa não apenas para o Brasil mas para o mundo.





