Inteligência americana
Independente da crítica que se faça ao histórico comportamento dos Estados Unidos, quando lhe convém impor boicotes econômicos e barreiras comerciais às nações que ousem fazer-lhe concorrência ou alguma outra forma de confronto, há que tirar lições das soluções do seu sistema capitalista, nos momentos de crise interna.
Enquanto o mundo se abala e sofre os efeitos de um atentado que ocorreu dentro do território americano, a Casa Branca vai submeter ao Congresso um pacote de medidas emergenciais para impulsionar a economia do país. A verba para esse projeto será de US$ 75 bilhões, somando-se a outros pacotes de US$ 40 bilhões já aprovado para reconstruir o World Trade Center e de US$ 15 bilhões para a recuperação das companhias aéreas.
E mais: acompanha essa proposta um projeto de diminuição de impostos para as empresas e de auxílio aos trabalhadores que perderam seus empregos com os atentados. O presidente George Bush explica: ''Temos de garantir que o consumidor tenha dinheiro para gastar, e gastar a curto prazo''. A preocupação do governo e dos estrategistas econômicos é não permitir que faltem recursos financeiros nas mãos dos cidadãos, para que a economia não se estanque. Mais não será preciso dizer.
Tão diferente do Brasil, que neste momento aumenta o preço dos combustíveis, prejudicando a nação inteira, e permite políticas que visam afastar, cada vez mais, o dinheiro do alcance do povo, para que não gaste. Enquanto o preço do petróleo importado cai, por decisão das fontes de produção em face do difícil momento presente no mundo, as refinarias do Brasil elevam os preços para os distribuidores e, na ponta da linha, o consumidor passa a pagar mais, a partir de hoje, 3,26% pelo óleo diesel, 3,11% para a gasolina e 2,5% para o gás de cozinha.
Voltando aos Estados Unidos, verifica-se que a política, em situação como a atual, é voltar-se para proteger a economia, sustentáculo do capitalismo e que mantém sempre forte a poderosa nação do Norte. ''Temos uma oportunidade fantástica para fortalecer a economia e assegurar aos líderes empresariais que o governo está desempenhando um papel muito ativo.'' Palavras do presidente Bush. O governo atua imediatamente e visa salvar a nação.
No Brasil, ante qualquer sopro de vento contrário, o governo conspira contra o povo retendo e diminuindo verbas, determinando a elevação dos juros e aumentando impostos e todos os seus serviços. Se aqui o presidente da República se oculta e o superministro da Economia dita normas arbitrárias, à revelia de qualquer consulta às classes empresariais, nos EUA o presidente reúne-se com os megaempresários e toma decisões conjuntas, como agora acontece.
Tudo se resume na inteligência destas palavras do presidente americano: ''O estímulo visa encorajar a confiança do consumidor, ampliar os investimentos comerciais e cuidar dos trabalhadores desempregados''. O mundo pode pagar a conta pelos atentados nos EUA, mas o país se defende internamente e não pune os cidadãos. Antes, os ampara, e a nação se salva.

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