EDITORIAL
Proteção para o leite
Os supermercados e as grandes indústrias de laticínios incorrem em abuso de poder contra os produtores e contra a economia popular quando praticam manobras para derrubar o preço do leite e auferem lucros exorbitantes na venda do produto. É inconcebível que o varejista obtenha, sobre esse produto, ganhos que chegam a até 46% e que alguns derivados, como a mussarela, contemplem os revendedores com margem de 80 a até 200%.
Terça-feira produtores de leite de cinco Estados do Sul reuniram-se em Curitiba para discutir a crise no setor, e a Confederação Nacional da Agricultura decidiu intervir em defesa do melhor ganho para as fontes de produção e solicitar ao governo federal que tabele, nos mercados, a margem de lucro de todos os produtos lácteos, compreendendo leite e todos os derivados.
Se o consumidor é prejudicado, a exploração também existe contra o produtor, que atualmente vem operando com prejuízo. E ele não pode cessar a atividade abruptamente, porque as vacas precisam ser ordenhadas - linguagem que a maioria das autoridades governamentais e os especuladores desconhecem. Como também desconhecem as agruras e as incertezas da vida do campo.
Em agosto o leiteiro - e este é o seu verdadeiro nome - recebeu apenas R$ 0,33 por litro, o que só cobre o custo de produção. Ele não sabe quanto receberá pelo correspondente a setembro. O máximo alcançado este ano foi R$ 0,42, em julho.
O governo precisa agir - como propõe a Confederação Nacional da Agricultura - dando mais garantias ao produtor, estabelecendo limite de lucros para os especuladores da ponta da linha e aplicando punições contra esses abusos, que caracterizam crime e uma desumanidade, pois o leite é produto estratégico na cadeia alimentar e indispensável, sobretudo, para o desenvolvimento das crianças. Por isso deveria receber proteção do Estado.
É um procedimento ignominioso que o mercado varejista e as indústrias de laticínios adotem artifícios para derrubar o preço do leite na fonte, para com isso obterem mais lucro, dessa forma causando danos nas duas extremidades dessa corrente: o produtor e o consumidor.
No caso do Paraná, o presidente da Cativa - cooperativa leiteira - propõe que o leite seja isentado do ICMS, a exemplo do que já ocorre em São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, porque o pleito não é apenas proteger o consumidor contra o abuso dos varejistas mas também dar cobertura ao produtor, ou ele acabará abandonando a atividade.





