Tratando-se da segunda maior cidade do Paraná, é relevante o exemplo da Prefeitura de Londrina de que é possível administrar com critério, nos momentos de dificuldade, e extrair disso bons resultados. Optando por pagar contas da administração anterior e cuidar apenas dos atendimentos básicos, a prefeitura fecha os primeiros oito meses do ano com superávit, e o plano é encerrar o exercício sem débitos.
Com a entrada em vigor da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que disciplina os atos e os gastos das administrações públicas, as prefeituras tiveram que modificar sistemas e readequar-se à realidade, já não podendo gastar além da arrecadação nem fazer projetos sem a procedência dos recursos correspondentes, ao tempo em que não poderão gastar, com pessoal, mais de 54% da arrecadação.
No início houve protestos contra a rigidez da lei, por parte sobretudo dos prefeitos reeleitos - que herdaram seus próprios desmandos - mas a difícil situação deixada pelas administrações sem freios e a existência dessa lei obrigaram os prefeitos a um reaprumo na forma de governar (saiba-se que a LRF existe para todos os Poderes).
Administrar dentro de limites exige competência, porque não basta apenas suspender a realização de obras e assim conter gastos e trilhar comodamente dentro dos parâmetros da lei. É preciso ter o discernimento para os cortes necessários sem prejudicar os atendimentos indispensáveis. E, ademais, saber prestar contas à população, informando-a do que ocorre, para que não faça questionamentos - o que é de pleno direito - se a administração pública não agir com transparência e, naturalmente, com honestidade.
No caso de Londrina, o prefeito Nedson Micheleti anuncia que realizará obras a partir do ano que vem, iniciando com uma capacidade de investimento de R$ 20 milhões e destinando-os a realizações básicas como asfaltamento de ruas, reforma de escolas e creches e revitalização de áreas de lazer. A população não irá lhe exigir muito nestes primeiros dois anos, mas sabe o prefeito que certas medidas dependem menos de dinheiro e mais de vontade política.
Obras que exigem pouco investimento e mais decisão são, por exemplo, as que se relacionam com o tráfego urbano, já caótico nesta cidade com um elevado índice de veículos por habitantes e que se move sobre rodas. Já é tempo de colocar técnicos nas ruas para corrigir pontos críticos, colocar sinalização onde falta, eliminar semáforos e sincronizar os que devem ficar. Sabe-se que há um desnecessário gasto de combustível no tempo em que os veículos ficam parados - no mais dos casos inutilmente - diante dos sinaleiros. Existem no mundo grandes cidades que, praticamente, não os têm e onde são mínimos os acidentes, porque os motoristas passam a dirigir com mais cautela, obedecendo à natural lei do fluxo.
Londrina também reclama cuidados em sua maquiagem, e isto o Poder Público pode fazer obrigando que cada edifício melhore suas próprias fachadas, fazendo repinturas periódicas, construa novas calçadas - pois as de Londrina são um caos - e contribua na manutenção da limpeza no respectivo espaço. Pagar impostos não pressupõe ausência de cooperação, eis que o interesse pelo embelezamento urbano é também da comunidade de cada rua.
Não é apenas a prefeitura que tem de prestar contas ao povo, mas também a comunidade deve cooperar com sua parte e servir aos interesses comuns. As associações de amigos de rua ou de quarteirão funcionam bem em muitas cidades brasileiras, sem grandes investimentos. Agora que o prefeito de Londrina já mostrou que pode administrar com competência, dentro de limites, ele pode capitanear uma campanha nesse sentido. Administração participativa é também isto.

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