Houvesse decoro da parte do senador Jader Barbalho e ele já teria solicitado licença do mandato, até que se esclareçam as denúncias de corrupção que pesam contra ele. A situação de suspeita já deveria ser suficiente para essa atitude, e isso é o mínimo que se esperaria de um homem público em tal situação.
Mas o que se observa é que Barbalho luta para manter-se no poder. Suas respostas, ante o que ocorre, são de que tudo isso que fazem com ele ''é uma grande palhaçada''. Proclama que quer ser ''ouvido pela sociedade, para provar inocência'', mas já disse tudo o que quis, a toda a nação, através da tevê do Senado.
Falar à sociedade ele tem falado, não se sabendo se está sendo ouvido como desejaria, eis que os cidadãos, já um tanto descrentes dos homens públicos, não devem se encantar com seus discursos.
Tem-se como certo agora que, depois de haver renunciado à presidência do Senado, ele acabará renunciando também ao mandato. Mas se tal acontecer não será por decoro e sim por conveniência, para não ser cassado e ter os direitos políticos suspensos, o que o impediria de disputar cargo eleitoral por oito anos, a partir de 2003.
Jader deseja, mais uma vez, ser governador do Pará, em cujo mandato ocorreu o escândalo do Banpará, seguindo-se as acusações de negócios ilícitos na Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia, casos em que ele estaria envolvido, conforme as investigações que correm na esfera do Ministério Público Federal.
A verdade é que a nação já não suporta essa novela, cujo personagem central é um homem que presidia o Congresso Nacional e agora detém o mandato de senador da República.
Já se gastou tempo e energia demais em torno desse caso, porque o Senado tem afazeres mais importantes e de mais interesse para a vida brasileira do que esse ''affaire'' Jader Barbalho.
Ao invés de os senadores estarem discutindo leis e reformas, param tudo, para travestir-se de tribunal e ocupar-se da tarefa de provar culpa ou inocência de um dos seus pares.
A legislação brasileira deveria arremeter questões como essa diretamente para o Judiciário e liberar os parlamentares para as incumbências maiores que a investidura de sua função exige.

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