EDITORIAL
Os atentados de Nova York e Washington deverão resultar em mudanças na condução das políticas econômicas das nações, levando-as à adoção de novas estratégias, tanto nas ações internas como nas relações internacionais. Mas essas mudanças, ao contrário do que vaticinam os catastrofistas, não serão para pior. As repercussões podem ser negativas a curto prazo, como agora acontece, mas não se crê em recessão mundial.
O que ocorre no momento são os naturais abalos provocados pelo impacto psicológico, e há um clima de apreensão em face da iminência de guerra. Mas a tendência é que, doravante, cada país fora do palco central dos acontecimentos passe a se preocupar mais com suas políticas internas e em estruturar-se melhor para enfrentar os efeitos desses momentos de negativismo, e isso resultará no abandono de certas negligências com as próprias potencialidades e, na extensão, em benefícios.
Os Estados Unidos, país centro do furacão que abalou o mundo, começou por baixar os próprios juros internos, para reativar a circulação da moeda e não desacelerar o desenvolvimento. Também o petróleo bruto teve baixa nos preços, e tal ocorreu como medida sensata, em face da situação do mundo.
Esses fenômenos de readequação deveriam acontecer normalmente, sem que o homem fosse movido por crises reais ou imaginárias, mas é certo que a humanidade deu grandes saltos de crescimento depois de grandes tragédias. Assim foi depois da Segunda Guerra Mundial, que gerou uma revolução industrial e um desenvolvimento tecnológico sem precedentes.
De forma alguma a humanidade precisará passar por processos de sofrimento para, a partir daí, ressurgir para a plenitude da paz, da riqueza e do bem-estar, mas se eventos desastrosos acontecem, há que tirar deles as lições. O momento é de rever políticas, não apenas por parte dos Estados Unidos mas de todas as nações, porque a globalização de que se fala não haverá de estribar-se em confrontos e na competitividade selvagem, mas na parceria, no intercâmbio de conhecimentos e na franca negociação, que dê lugar também a renúncias e concessões, de parte a parte.
A palavra competitividade deveria ser varrida da linguagem dos povos, nas suas relações diplomáticas e de negócios, porque ela tem sido entendida como disputa, triunfo do mais forte sobre o mais fraco, e é em função disso que resultam os conflitos, as guerras, os atentados. Ao invés de competir, as nações precisam partilhar mais, intercambiando tecnologias e dividindo responsabilidades, e assim a destreza dos mais hábeis e mais competentes passaria a servir à humanidade inteira e não apenas aos detentores desses atributos.
Um clima de negatividade envolve a todos, e a crença e a difusão de iminentes recessões poderão induzir à ocorrência de fatos reais, pelo robustecimento dessa corrente. Mas é preciso reverter esse processo e depositar toda a confiança nas potencialidades das próprias nações e de cada cidadão individualmente. Porque a infra-estrutura de produção continua intacta e não haverá de ser alterada em função de um abalo momentâneo, terrível que tenha sido. Nada que a inteligência humana não possa reconstruir.





