Os povos do mundo, mesmo os que sediam organizações terroristas, não são partidários das ações extremistas que aterrorizam a humanidade, como as que acabam de acontecer em Nova York e Washington. Porque há um certo temor pela própria segurança. E agora novo estado de apreensão se instala, ante a declaração de revide feita pelo presidente dos Estados Unidos, George Bush, porque se os EUA ainda não identificaram os autores dos atentados de terça-feira, sabem quem são os seus inimigos. O megaterrorista e milionário saudita Osama bin Laden, baseado no Afeganistão, já é apontado como principal suspeito, e a partir dele não é difícil imaginar quais são os demais ''santuários'' que abrigam os líderes terroristas do mundo.
''Agora que foi declarada guerra contra nós, lideraremos o mundo à vitória'' proclamou o presidente Bush. Embora ele não seja um líder de fato, até pelo pouco tempo de mandato e também porque nem os norte-americanos e nem o mundo enxergam nele tal virtude, suas palavras têm o peso de emanar do mandante supremo da mais poderosa nação do mundo. É certo, portanto, que os povos de todo o planeta sentem-se envolvidos nas ações que resultarão do presente conflito.
As consequências políticas e econômicas deste estado de guerra já atingem a todos, no momento apenas emocionalmente mas muito breve será pelos seus desdobramentos. Não há pessoa no pleno uso da razão e do bom senso que concorde com os atos do terrorismo internacional, por mais antipatia que, eventualmente, nutra pelos Estados Unidos hoje o principal alvo dos terroristas mas teme-se pela ocorrência de uma obsessiva caça aos suspeitos, sobre os povos de origem islâmica, que habitam os EUA e todas as partes do mundo. Isto inclui o Brasil e, aqui bem perto de nós paranaenses, a faixa de fronteira com o Paraguai e a Argentina, em especial a cidade de Foz do Iguaçu, sempre um fácil portal de entrada ou de abrigo para terroristas.
O mundo, pela conclamação do presidente Bush, já está convocado a participar da caça aos terroristas e à destruição dos Estados que patrocinam ou abrigam agentes do terrorismo. ''Lideraremos o mundo à vitória'' ele acaba de proclamar. Ninguém ignora o poder desse brado, partido de onde partiu, e é certo que as nações do mundo se engajarão nessa luta, que na verdade interessa a todos, eis que os ideais de paz na Terra são universais.
E também se sabe quem vai pagar essa conta. O povo norte-americano, com toda certeza, não. Porque o governo não aumentará impostos internos por conta dos gastos com essa guerra ou com quaisquer outras. O mundo dependente é que pagará, em forma de barreiras econômicas e de juros mais altos que lhe serão impostos, na conta dos empréstimos externos. Nesse jogo de pôquer os Estados Unidos da América são a banca, e a banca nunca perde, porque não joga e só aufere o cacife. Os EUA sabem como induzir as nações à sensação de se sentirem protegidas, mas é certo que, antes de tudo, são eles que se protegem.
O governo americano não irá impor sacrifícios à economia interna do país e nem aos cidadãos em particular para custear essa ofensiva antiterrorista. Indiscutivelmente, os governos da mais democrática nação do mundo ao menos na sua relação interna e não necessariamente com respeito às demais nações têm a salutar característica de se estribar na vontade dos cidadãos ao tomar qualquer medida mais extrema. Na mesma trilha seguem os veículos de comunicação, e nunca o contrário, como ocorre em países subdesenvolvidos, onde predomina o poder dos governantes sobre o povo.
O presidente Bush age segundo a impulsão das bases populares, mas teme-se que essa pressão possa induzi-lo a ações precipitadas, no presente momento. Ademais porque a população vê insegurança e uma certa frouxidão em sua forma de governar. Sabe-se que o povo americano exige respostas rápidas, não faltando os que reclamam, agora, alguma ação imediata, mesmo não sabendo ainda contra quem.
O culto à guerra, nos Estados Unidos, é ensinado a partir do curso primário, por isso o atentado de terça-feira moveu os brios da nação inteira. Grande parte da população adulta dos EUA já participou de alguma guerra ou de alguma unidade militar, ou está presentemente engajada em uma, e isso significa um povo em armas. É uma nação que sempre cultuou a ação armada, eis que nela se estriba a garantia de sua sobrevivência econômica.
A soberania que a grande potência americana acabou assumindo, perante as nações do mundo, conferiu-lhe muito poder de arbítrio e uma certa arrogância. E é por essas coisas que, muitas vezes, paga caro, como o atentado de que foi vítima neste 11 de setembro fatídico. Uma nação poderia ser líder do mundo e ao mesmo tempo sábia, sem inimigos. Não é, lamentavelmente, o que ocorre com os Estados Unidos.

mockup