O relatório final do inquérito realizado pela Polícia Federal sobre o Banco Nacional confirma fraudes nos balanços e indicia 39 integrantes do Conselho de Administração da empresa. O passivo descoberto atingiu mais de 9 bilhões de reais, quase 2 bilhões acima do que o Banco Central encontrou quando realizou a intervenção. Do total do rombo, 80% se referem à utilização fraudulenta de 1.046 contas correntes de clientes cujos créditos, falsos, eram lançados como lucros em um esquema destinado a maquiar os balanços.
A investigação da Polícia Federal levou nove meses, tempo necessário em face do volume de informações - 1 bilhão - que necessitavam ser cotejadas e também porque era preciso ir a fundo para conhecer em minúcias o esquema de fraude, que vinha sendo praticado há muitos anos. A demora, portanto, não deve ser confundida com tentativa de impunidade, até porque foram indiciadas 39 pessoas, entre elas a nora do presidente da República e grandes nomes do mundo bancário brasileiro, o que acontece pela primeira vez em nossa História.
Recentemente, banqueiros foram presos no Paraguai e especuladores de toda ordem no Japão. No Brasil, muitos escândalos têm sido descobertos, mas não se viu, até agora, nenhum grande fraudador de ‘colarinho branco’ realmente punido. O indiciamento não implica em punição, mas é um bom começo. O caminho é longo nestes casos, e é preciso ter paciência - coisa que o povo brasileiro, aliás, tem de sobra. O que não pode acontecer é a desmoralização da Polícia e da própria Justiça, em função de ‘acertos’ que já vimos no passado para livrar gente importante das garras da lei. O primado da Justiça é uma das condições da democracia. Também por isso, todas as etapas do processo devem ser realizadas escrupulosamente dentro da lei, para que ninguém escape por algum tipo de tecnicalidade jurídica, muito comum nesses casos.
Objetividade, lisura e celeridade devem marcar o processo daqui para a frente. Os brasileiros estão cansados de conhecer fraudes e ver a impunidade, que quebra a confiança da população em seu governo e estimula a corrupção. Esta semana mesmo, o deputado que vendeu seu voto para aprovar a emenda da reeleição voltou ao noticiário por estar ‘cobrando’ do seu suplente. E nada lhe acontece. Há um processo de cassação agora em curso, mas a punição, se vier, chegará tarde demais para evitar mais um dano à moralidade pública.
Vivemos, nos primeiros anos de redemocratização, a etapa da revelação de escândalos os mais variados. A democracia recém-conquistada permitia o amplo conhecimento dos crimes que se cometiam contra o erário público. O descrédito só veio, nesta fase da vida brasileira, porque logo se viu que as denúncias não tinham consequência. O que a Nação toda quer agora é o início de uma nova etapa em nossa democracia, na qual os corruptos, os fraudadores e todos os que tripudiaram sobre a miséria do povo e o assaltaram, até agora impunemente, sejam enfim exemplarmente punidos.

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