EDITORIAL
É preciso lutar
Os governantes são insensíveis aos clamores das ruas, mas o caminho não é outro senão persistir, porque a nação só se salvará pela força da manifestação e da ação de seu povo. Os brasileiros vivem um momento de grande frustração, consequente dos desmandos governamentais, da corrupção, do descaso ante os problemas sociais que afetam a nação inteira. E se desencantam porque os governantes, ao invés de admitir as dificuldades presentes e perfilar ao lado do povo para uma grande cruzada na busca de soluções, em franca e sincera participação, proclamam que tudo vai bem e que os protestos são movimentos isolados das oposições.
Sem dúvida que, à frente dos movimentos populares, ou às vezes na linha de vanguarda, estão lideranças políticas, porém tais manifestações não ocorreriam se não houvesse descontentamento geral e se a população estivesse satisfeita com os seus governos, tanto o federal como o dos Estados. É a insensibilidade dos governantes que revolta, porém o mais indignante é a arrogância com que eles se postam diante do povo.
O Dia da Pátria não foi um dia de celebrações, mas de protesto, porque ao invés de aplaudir as paradas oficiais o povo exaltou a presença dos manifestantes dos diferentes movimentos sociais. Naturalmente que o fato gerou tumultos e prisões. No Paraná, o governador nem sequer compareceu.
Mas o descaso dos governos ante os clamores populares não deve gerar essa sensação de impotência que, entre desencanto e patriotismo, envolve a população brasileira. A chama do amor à pátria e à unidade nacional há que ser mais forte. Não a baderna, a destruição do patrimônio público e o enfraquecimento das instituições, mas a cruzada consciente e contínua, que deve estar presente em todos os momentos e diante de qualquer arbitrariedade.
A condescendência dos cidadãos reforça a prepotência dos agentes públicos. É preciso ter a coragem de pôr-se de pé e dizer não ante certas circunstâncias, desde a ação arbitrária do policial da esquina e do agente da repartição pública que atende mal e trata com desdém o contribuinte, até o ato do presidente da República. Porque é dessa forma que a cidadania se manifesta e se impõe. Os brasileiros geraram os próprios governantes que têm e os fizeram assim arrogantes e arbitrários. E depois de os haver produzido apequenaram-se diante deles.
Cada indivíduo é um agente da reconstrução da cidadania, e quando todos assumirem essa consciência a nação inteira será forte e soberana. Aí não mais se imporão nem a prepotência e nem o descaso dos governantes. O caminho deve ser o inverso do hoje percorrido, ou seja, não o governo sobrepondo-se ao povo mas o povo ditando as normas do governo que deseja.





