EDITORIAL
Os excluídos
Tendo como motivação o Dia da Pátria, os movimentos sociais promoveram protestos em centenas de cidades brasileiras, ontem, com atos públicos, passeatas e outras manifestações. Foi o Grito dos Excluídos.
Mas quem são os excluídos? Certamente não apenas os sem-terra, os desempregados, os sem-assistência e os pobres deste país. Excluídos, hoje, são quase todos os brasileiros. Porque, embora guardem implícito todo o poder, não são ouvidos e sofrem pela ditadura dos governantes.
No Paraná, tivemos recentemente a amostragem de que a população inteira foi excluída, porque o arbítrio de 27 deputados estaduais prevaleceu sobre ela, no episódio da votação sobre a venda da Copel. E agora a empresa é colocada em leilão por um preço considerado baixo demais, e a sociedade pouco ou nada pode fazer, porque é excluída.
Um poderoso Ministério exclui 160 milhões de brasileiros e impõe sua própria política econômica, e com ela se empolga o próprio presidente da República. O resultado é este que vimos ontem: brasileiros protestando, em todos os cantos do País, por necessidades sociais de toda a ordem.
Neste Sete de Setembro, servidores públicos, em todo o País, promoveram não o Grito de Independência, que é a razão das celebrações do Dia da Pátria, mas o clamor por reivindicações não atendidas.
Sem-terra estão acampados em Brasília. No Nordeste, o tema do Grito dos Excluídos foi o secular problema da estiagem e da fome, questões que os políticos da região nunca buscaram resolver, até porque é da conveniência deles manter a ''indústria da seca''.
Enquanto isso, o governo do Distrito Federal prometeu, de véspera, dar lanche grátis à população carente que fosse assistir ao desfile do Dia da Pátria, ontem. Imaginou que, com esse ato, o povo estaria demonstrando apoio ao governo federal.
Infeliz de uma nação cujos governantes tenham que recorrer a expediente como esse, e que o povo pobre, em sua carência, aceite tal submissão. Não um incentivo ao patriotismo, mas a exploração da miséria por parte dos governantes.
E em Curitiba, a população excluída da decisão sobre a venda da Copel deu seu grito de protesto no bojo do movimento das pastorais sociais, que também promoveram uma passeata até a Favela Pantanal, onde 700 famílias vivem em situação irregular e sem infra-estrutura de saneamento.
Mas, repita-se, não são apenas esses os excluídos. A nação inteira é a grande excluída, pois não é ouvida quando se manifesta contra as decisões governamentais e acaba prostrando-se, frustrada e com a sensação de impotência.





