O valor da Copel


Se a aprovação da venda da Copel foi um golpe sobre a população paranaense que desde a primeira hora se manifestou contrária a essa transação o baixo valor ontem divulgado para o primeiro lance do leilão da estatal R$ 4,3 bilhões para a parte do governo causou estupefação geral. Analistas contrários à privatização chegaram a superavaliar a empresa em R$ 25 bilhões, e consultores mais moderados não deixaram por menos de R$ 8,5 bilhões. Ora, não se está tratando de ''meros'' milhões, mas de bilhões!
O coordenador-executivo do Fórum Popular Contra a Venda da Copel, Nelton Friedrich, demonstrou que só a usina de Salto de Caxias custou R$ 1 bilhão. Relembre-se que a Copel tem 17 usinas hidrelétricas e uma termelétrica. É só fazer as contas. Um ex-diretor da Copel considerou a cifra de R$ 4,3 bilhões ''absurdamente baixa'' e afirmou que a empresa vale R$ 15 bilhões.
É indiscutível que, considerando o patrimônio físico da Copel, o valor revelado para o lance inicial do leilão está muito aquém do que se esperava. Ademais, porque a Companhia Paranaense de Energia é uma empresa consolidada e lucrativa, que já pagou seu próprio investimento.
Adquirir um negócio já em andamento e proporcionando lucro já no instante da compra é diferente de iniciar um empreendimento, com todos os riscos decorrentes. A Copel tem 46 anos de experiência e, no mínimo, já não cometerá erros de gerenciamento, pois passou por todos os processos de aprendizado ao longo desse tempo. Agora voa ''em velocidade de cruzeiro'', como se diz na aviação, significando que navega serena, sem turbulência, só bastando cuidar da rota. Tudo isso tem um ponderável adicional de preço político.
O valor, portanto, não poderia ser o anunciado, mas muito superior, e o momento da venda mesmo que aprovada parece ser inadequado. Mas é óbvio que o governo estadual, que tem 16 meses restantes de mandato, quer fechar o negócio imediatamente e pôr o dinheiro em caixa.
Diante desses acontecimentos primeiro a insensibilidade de metade do corpo legislativo ante o clamor da população, e agora a revelação do baixo valor do leilão a sociedade paranaense fica dominada por uma sensação de impotência, só comparável aos tempos de chumbo.

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