É mais uma insensatez o projeto de lei, em tramitação no Congresso, que propõe a redução das áreas de preservação permanente, cobertas com mata nativa. A proposição, do deputado paranaense Moacir Micheletto, insere-se nos estudos de comissão parlamentar que analisa mudanças no Código Florestal, visando favorecer a expansão da agricultura.
O projeto, como era de se esperar, vem encontrando forte resistência de parte dos ambientalistas e dos chefes das 58 Florestas Nacionais, que acabam de assinar moção de repúdio e a encaminharam ao Congresso. Também o Ministério do Meio Ambiente se manifestou, apontando pelo menos nove pontos negativos do projeto, considerando que o ecossistema, de grande fragilidade, será intensamente agredido se vingar a proposta desse parlamentar ruralista.
Desnecessário repetir que as florestas afora serem fundamentais na preservação da biodiversidade retiram da atmosfera o carbono emitido pelos automóveis, pelas indústrias e outras atividades humanas. É o carbono o grande responsável pelo aquecimento atmosférico, o denominado efeito estufa, grande vilão que, pelo ação de gases específicos, é capaz de destruir a camada de ozônio, protetora da intensidade dos raios solares, e de derreter as calotas polares e provocar a expansão dos oceanos, assim diminuindo os espaços territoriais.
Disso parece não terem consciência esses deputados favoráveis à derrubada das matas e à exploração do território a qualquer preço. Ademais, a redução de áreas cobertas com matas nativas significa a destruição de espécies vegetais e animais que jamais serão repostas, e mesmo que um dia se busque recuperá-las, isso não será mais possível.
É preciso, por todos os meios, conter esses ideais de expandir fronteiras agrícolas à custa do sacrifício da natureza, que é o mais rico patrimônio da humanidade. Não se pode permitir que meia dúzia de parlamentares tome uma decisão tão irresponsável, que venha a causar danos irreparáveis ao homem e a todos os seres e coisas que sustentam a vida no planeta.
O Brasil tem população ainda baixa em relação à sua extensão territorial. Não se compreende que seja necessário mais desmatamento neste País já quase inteiramente desmatado e com tantas áreas livres para extração agrícola. Há espaços, na zona do cerrado, ainda não convenientemente explorados em toda a sua extensão, só faltando propósito de investir em projetos nessa região. E pode-se aumentar ganhos de produtividade nas áreas já exploradas, simplesmente empregando a tecnologia. São caminhos mais sensatos do que a irrecuperável diminuição de nossas reservas florestais nativas.

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