EDITORIAL
Empregos no campo
Embora sempre carente da necessária atenção das políticas governamentais, a agricultura do Paraná levanta mais um dos seus estandartes: o da manutenção e geração de empregos. Os números são do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e mostram que, nos sete meses contalibilizados deste ano, não só o nível do emprego no campo foi mantido como foram abertos 5.580 novos postos de trabalho.
Isto se deve ao bom desempenho da safra agrícola, o que aconteceu não só no Paraná mas também em todo o País, gerando no total 184 mil novos empregos, na área agrícola. Tais dados animam e surpreendem, porque a expectativa do próprio Dieese era de redução no nível de emprego na lavoura.
E quando a agricultura vai bem, parece que tudo o mais segue esse ritmo, porque também a indústria do Paraná, no mesmo período, não só não demitiu como criou novos empregos. Isto com todas as previsões alarmantes de desemprego motivadas por fatores como a crise energética, a desvalorização cambial, o aumento da taxa de juros e a desaceleração da economia mundial.
Se os mercados foram atingidos, as contratações, surpreendentemente, não. Naturalmente que o índice de desemprego continua alto, em face da entrada diária de mais gente em idade de trabalhar, eis que a população brasileira cresce. Diferente de alguns países desenvolvidos, onde o índice populacional se mantém estagnado e até diminuiu.
O aumento do nível de emprego, especialmente na agricultura, demonstra a importância da atividade rural na vida econômica brasileira e nem seria necessário dizer de seu significado na garantia do sustento alimentar para toda a população, embora a comunidade governamental, ao que parece, disso ainda não tenha se dado conta. A agricultura caminha pelas próprias pernas, sujeita a chuvas e trovoadas, embora, no que respeita à área oficial, deva-se ressaltar o trabalho dos pesquisadores e seus notáveis resultados.
A política governamental para a agricultura não anda paralela ao desenvolvimento desse setor e à sua importância no contexto econômico nacional e mundial. O negócio rural (aí entendidas todas as atividades do campo) é ainda o menos contemplado na pauta dos governos tanto o federal quanto os estaduais, em nosso País eis que nessa área quase tudo está ainda por fazer, no que tem a ver com as políticas públicas.
Bastará estender o olhar para horizontes mais vastos e verificar o que falta em atendimentos de educação, saúde e bem-estar às famílias do campo; à infra-estrutura de armazenagem, silagem e escoamento de safras; às políticas de zoneamento e ordenamento da produção, de financiamento, de preços mínimos e de amparo na comercialização a partir das origens, afora a adequação da lei trabalhista, de forma a garantir a manutenção do operário rural (e eventualmente sua família) no campo, como acontecia antigamente, eis que suas relações de trabalho diferem das do trabalhador urbano.





