EDITORIAL
Corrupção nas prefeituras
É estarrecedora a revelação do Ministério Público, divulgada ontem por este jornal, de que somente nos oito meses deste ano recebeu 800 denúncias criminais contra prefeituras paranaenses, relativas a irregularidades contra o patrimônio público. Afora isso, o MP investiga outras mil denúncias de improbidade administrativa, pelo mesmo motivo. Entre as denúncias, há algumas também contra o governo estadual.
A população, totalmente descrente da honestidade dos administradores públicos, também não acredita nos discursos dos políticos, e abomina, sobretudo, que eles invadam os lares com suas pregações, nos horários gratuitos destinados aos partidos. Porque o que eles pregam, não realizam na prática. Ao contrário, as notícias que se tem são de barganhas, se exercem função legislativa de que tivemos um exemplo recente, com o caso da Copel e de corrupção quando guindados ao comando das administrações públicas.
A revelação feita agora pelo Ministério Público confirma o que dizemos. Ademais, basta ler os jornais, já pequenos para divulgar tanto desmando na esfera governamental. Os veículos de comunicação não têm preferência pelas coisas más dos governos, eis que não ocultam os seus projetos e as suas boas obras, mas é certo que gostariam de gastar menos tempo, espaço e energia com notícias de irregularidades na vida pública.
E é esse tipo de noticiário que tem recheado as páginas dos jornais e o tempo da mídia eletrônica, mas não porque os comunicadores sociais sejam apologistas do negativismo, e sim porque a pauta da corrupção já extrapolou os limites. Isso estarrece e satura a própria imprensa, que apreciaria, muito mais, falar de grandes projetos públicos, de obras e de soluções para a vida da comunidade.
Tantas são as denúncias, que elas se transformaram em rotina, parecendo já inoculadas no fluxo da vida nacional, não porém sem grande revolta da população, já estafada dos seus políticos e governantes.
Não fossem tão fáceis e tentadoras as práticas ilícitas, e tão forte o anseio de enriquecimento à custa do dinheiro público mesmo agora, com o rigor da Lei de Responsabilidade Fiscal e da ação pronta e eficaz do Ministério Público os políticos não desejariam tanto eleger-se para cargos públicos, manter-se a qualquer preço no poder e buscar reeleição.
Escassez de dinheiro não é garantia de ausência de corrupção governamental, porque quando o administrador público é desonesto, encontra os meios... O testemunho está estampado diariamente nos jornais e na revelação que agora faz o Ministério Público, sobre a entrada a maior parte, certamente, relativa a administrações anteriores destas 800 novas denúncias contra prefeituras paranaenses. Contra fatos não há argumentos.





