Crise nas universidades

Muito se questiona se o Brasil precisa mais de faculdades ou de cursos profissionalizantes, aí entendidos aqueles que preparam mão-de-obra mais urgente para as necessidades atuais do País e que venham, também, a atender à premência de qualificar pessoas para a entrada rápida no mercado de trabalho.

País ainda emergente em quase todos os campos da atividade ao menos na relação com os grandes do mundo o Brasil tem, muito mais do que se supõe, necessidade de trabalhadores, mas é preciso que eles tenham qualificação profissional.

Os que engrossam a fila dos desempregados são, na maioria, pessoas que ingressam agora na idade do trabalho, com pouca ou nenhuma habilitação, ou profissionais de baixa competência, que o mercado naturalmente rejeita. Por outro lado, a máxima capacitação pode também não encontrar campo, neste País, daí ocorrendo que especialistas nacionais emigrem para países mais desenvolvidos.

Estes fatos, porém, não autorizam que se descuide das instituições de nível superior, como vem ocorrendo com as universidades públicas do Paraná. Levantamento publicado domingo neste jornal mostra que as universidades estaduais passam por crises administrativas, e isto acabará influindo na qualidade do ensino.

Lamentavelmente, aqui e ali despontam casos de má gestão dessas instituições, parecendo que elas carregam o estigma de administrações municipais e de organismos governamentais em geral, envoltos em malversação do dinheiro público, negociatas e favorecimentos escandalosos.

Entidades que congregam servidores dessas instituições de ensino declaram que as universidade estaduais vêm sendo vítimas de sucateamento e que o governo do Estado só cobre gastos com a folha de pagamento. Também alegam falta de autonomia das universidades, pois, segundo afirmam, as reitorias ficam subordinadas ao governo e por isso não teriam independência.

A Secretaria Estadual de Educação contesta, demonstrando que as universidades têm toda a autonomia assegurada pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação e pela Constituição federal e que, portanto, o governo não sabe precisar a arrecadação e os gastos em cada uma das cinco universidades públicas e das 11 faculdades isoladas.

Parece claro que a autonomia é das próprias escolas; em outras palavras, dos homens que as dirigem. Então, como ocorre no momento de o eleitorado eleger os seus governantes, a escolha de um reitor e de um diretor de faculdade se reveste de igual importância, porque deles dependem os rumos que essas instituições de ensino superior irão tomar.

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