Enquanto se anuncia que serão criadas mais duas praças de pedágio no Paraná, autênticas caça-níqueis e que se enquadrariam melhor com a denominação de caça-fortunas uma boa medida acaba de ser tomada: a proibição da operação das máquinas caça-níqueis, em todo o Estado do Paraná. O decreto do governo estadual já autoriza que, se os donos desses equipamentos não os retirarem em 30 dias, as polícias Civil e Militar os recolham.
São mais de 20 mil dessas máquinas de apostas que hoje operam em bares, padarias, bingos, dentro e em partes externas desses estabelecimentos. O Estado agora vai propor ao Judiciário a suspensão de liminares e medidas judiciais que tenham permitido, antes do decreto, o funcionamento das máquinas caça-níqueis no Paraná.
Essa nova ordem regulamenta a lei federal que proíbe esse tipo de jogo de azar há mais de cinco anos. Até agora as empresas que vendem tais máquinas vinham obtendo liminares na Justiça para continuar operando, e assim esse tipo de jogo continuou, livremente.
A medida foi tomada em boa hora, porque, segundo despacho do Tribunal Federal de São Paulo em cujo Estado as máquinas caça-níqueis também foram proibidas ''elas trazem o risco inerente de grave lesão à economia popular contido no conceito de economia pública''.
Ademais, constatou-se que essas máquinas dão poucas chances de ganho ao jogador, abocanhando 60% do total jogado. Nos países onde os jogos são plenamente liberados, as máquinas caça-níqueis absorvem apenas 10%, e até menos. Porém o problema maior é que esse atrativo de ilusório ganho fácil cria vícios, leva crianças a faltarem a aulas e consomem suas pequenas economias, destinadas muitas vezes à alimentação.
O Brasil tem se convertido num extenso cassino, sendo o próprio governo o grande bancador do jogo, pelo número de loterias que explora, incluindo-se as máquinas de jogos instantâneos (e estas permanecerão). Os jogos carteados e o folclórico ''jogo do bicho'' também são tipificados como contravenção, mas tolerados no País inteiro. Assim, a lei proibitiva acabou inócua, pela não-aplicação.
Imaginar que esses jogos serão totalmente eliminados, no Brasil, é utopia se o próprio Poder Público tem na indústria das apostas uma gigantesca fonte de renda, cujos recursos descontados os prêmios são destinados a serviços sociais, educativos, culturais, esportivos e penitenciários. Porém, as máquinas caça-níqueis particulares, agora interditadas, apenas serviam ao interesse da exploração, assim como acontece também com os bingos.

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